Montes Claros é a segunda cidade do Estado com maior número de casos suspeitos de gestantes com o vírus da zika neste ano. São 50 notificações sob investigação, sendo que dois já foram confirmados. O município fica atrás apenas de Belo Horizonte, com 80 registros. Os dados constam do Boletim Epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Além de Montes Claros, estão sendo investigados casos de mulheres grávidas com o zika vírus em Janaúba (16), São Francisco (13) Bocaiuva (9) e Claro dos Poções (16).

Na maioria das vezes, a doença não apresenta sintomas, mas pode provocar sérios problemas, como paralisia (síndrome de Guillain-Barré). Em gestantes, o quadro é ainda mais grave, pois pode causar defeitos congênitos no bebê, como a microcefalia.

A estudante Jéssica Pereira de Abreu Mota contraiu o zika vírus durante a gravidez dos gêmeos, Pierre e Pietro, que hoje estão com quase 3 anos. Logo após o nascimento, os dois meninos foram submetidos a uma série de exames em que foi diagnosticada a microcefalia.

“Não é fácil ter duas crianças com esse tipo de doença. Hoje me sinto mais madura e consigo entendê-los pelo olhar, mas antes foi desesperador, principalmente porque não tínhamos condições para manter duas crianças que necessitam de cuidados especiais”, pontua a mãe.

A família está em campanha para aquisição de duas cadeiras de rodas para os meninos poderem se locomover. Quem quiser ajudar, pode entrar em contato pelo telefone (38) 99882-9402.

Em todo o Estado, foram registrados neste ano 1.193 casos de zika vírus, sendo 427 em grávidas – público mais frágil à doença.
 
DENGUE
Com relação à dengue, a situação de Montes Claros também não é das mais cômodas. O município ocupa o sexto lugar no ranking de cidades com maior número de casos no Estado: são 5.637 registros da doença neste ano. Fica atrás de Belo Horizonte, Betim, Coqueiral, Uberlândia e Visconde de Ouro Preto.

E o alerta de que a cidade poderia ser alvo de uma epidemia da doença foi dado logo no início de 2019. O Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LirAa) realizado em janeiro indicava a situação – a taxa era de 5,9%, cinco vezes maior que o índice considerado seguro, que é de 1%.

No entanto, mês a mês o número de casos ia subindo e os flagrantes de focos do mosquito Aedes aegypti se multiplicavam, como O NORTE mostrou inúmeras vezes. Lotes vagos cheios de lixo que acumulavam água, tambores de armazenamento de água sem a devida vedação, praças da cidade sem manutenção e com poças de água parada.

Em abril e maio, meses considerados mais críticos, quando houve uma explosão de casos, as unidades de saúde ficaram lotadas de pacientes com sintomas da doença.

Para combater a endemia, o governo de Minas disponibilizou R$ 12,7 milhões para os municípios que apresentaram maior infestação de dengue. O valor para cada cidade varia de acordo com o número da população, podendo ser de R$ 20 mil a R$ 400 mil.

Segundo Flamarion Cardoso, coordenador do Centro de Controle de Zoonoses de Montes Claros, o município está fazendo a parte que lhe cabe, inclusive utilizando o carro que espalha o veneno que mata apenas o Aedes e realizando visitas frequentes dos agentes. “Mas cada um precisa fazer sua parte”, ressalta.