Logo nos dois primeiros dias do Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LirAa) em Montes Claros, o Centro de Controle de Zoonose (CCZ) constatou diversos focos do mosquito causador da dengue em todos os bairros visitados. 

O último LirAa foi realizado em janeiro deste ano e já apontava o risco de epidemia de dengue na cidade. O índice foi de 5,9%, quando o considerado seguro é até 1%.

A Secretaria de Estado de Saúde divulgou, na última segunda-feira, o Boletim Epidemiológico, com os registros de casos das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Em Montes Claros, de janeiro a setembro deste ano, 8.253 pessoas tiveram dengue – contra pouco mais de 300 casos apurados no mesmo período de 2018. O último registro de óbito por dengue foi no ano passado. 

“Em apenas dois dias, constatamos, em praticamente todas as residências, focos de dengue. Coletamos as larvas para análise laboratorial e logo teremos o resultado”, afirma o coordenador do CCZ, Flamarion Cardoso. 

Os agentes encontraram focos em entulhos armazenados em quintais, como baldes velhos e garrafas de bebidas. Agora que começaram as primeiras chuvas do segundo semestre, a atenção deve ser redobrada. Encontrar focos logo no início do levantamento, coloca o município em situação de alerta para uma possível epidemia  

O Aedes aegypti também é o responsável por transmitir Zika Vírus e Chikungunya. A Secretaria de Saúde aponta que foram diagnosticados 28 casos de Chikungunya e 17 prováveis de Zika, sendo dez em gestantes. Em casos de grávidas, a situação é ainda pior, pois uma das consequências da doença é a transmissão para o feto, com risco de microcefalia. 

O LirAa visa obter a estimativa da infestação pelo vetor do Aedes nos municípios. A amostragem deve ser precedida de mapeamento e estratificação dos imóveis em unidades territoriais homogêneas de 2.500 a 12 mil imóveis denominadas estratos. O levantamento avalia índice de infestação predial, criadouros e recipientes.