Apesar dos 23 dias de lockdown, seguindo as regras da “Onda Roxa” do plano estadual Minas Consciente, Montes Claros bate mais um recorde no número de confirmações de Covid-19 registrado em 24 horas. Foram 561 novos casos e 22 óbitos pela doença só nesta terça-feira (30). Sem trégua no volume de infectados, os hospitais reiteraram, em nota, a capacidade máxima de ocupação de leitos e a impossibilidade de receber novos pacientes suspeitos ou confirmados para a doença.

No Norte de Minas são 629 pessoas internadas, sendo 315 em Montes Claros. Entre os casos confirmados, 254 são do sexo masculino e 307 do sexo feminino, com idades entre zero e 87 anos. Entre os óbitos, 13 pessoas estavam na faixa etária abaixo dos 60 anos.

Aparentemente, as medidas de restrição impostas pela “Onda Roxa” ainda não surtiram efeito. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os resultados foram leves e o momento exige cautela. Nesta segunda-feira (29), o prefeito publicou um decreto validando as medidas impostas pela fase mais restritiva do plano estadual até 4 de abril.

O infectologista João dos Reis Canela afirma que o vírus tem uma capacidade alta de transmissão e que os números em todo o mundo apontam para a sua permanência ainda por um longo tempo. Por isso, ele ressalta que é necessário reforçar as medidas já preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como distanciamento social, uso de máscara e higienização das mãos. 

EFICÁCIA
Essas medidas, segundo o médico, são importantes, ainda que exista uma “carência de eficácia com relação a estas medidas, expressa por estes números”.

“Estes dados mostram que nós temos que persistir com essas medidas de forma coerente. Acredito que estamos no momento em que as próprias autoridades mundiais, e recentemente uma nota técnica da Organização Mundial de Saúde, questionam as eficácias das medidas de lockdown como têm sido tomadas até o presente momento”, explica o médico. 

Para ele, há fragilidades nesse sistema que poderiam explicar a resistência na redução dos números de infectados. “As quarentenas, como classicamente conhecemos, elas são úteis para indivíduos que estão doentes ou altamente susceptíveis, mas nunca para indivíduos que estão saudáveis, que no cotidiano precisam enfrentar a vida diária. Temos que começar a racionalizar, a repensar a estratégia para continuarmos com a influência junto à sociedade como um todo, de como tem que se proceder em relação à proteção individual e coletiva”, reforça.

O infectologista alerta que dados históricos em situações de pandemia mostram que, enquanto um grande percentual da população não tiver contato com o vírus, ele estará aparecendo. 

“Indivíduos altamente susceptíveis vão adoecer e adoecer grave. Este grupo, em torno de 20% (da população), com adoecimento grave de 5%, mostra que o sistema de saúde, se não tiver devidamente protegido, acaba entrando em falência. Em última análise, diria que temos que estar conscientes que, em um país com mais de 200 milhões de habitantes, não chegamos ainda a 15 milhões que tiveram contato com o vírus. É um dado preocupante e mostra que muita coisa está por acontecer”, finaliza.
 
DISTANCIAMENTO
Mas, para outros especialistas, a explicação para os números se manterem crescentes é a não participação efetiva da população às regras do isolamento social e aos novos tipos de variantes do vírus que estão circulando.

Nesta terça-feira (30), o governador Romeu Zema pediu aos mineiros que respeitem a “Onda Roxa”. “Mais do que nunca precisamos assumir uma postura de cuidado. Hoje, a nossa média de isolamento é menor que a média nacional. Precisamos melhorar esse indicador para que a contaminação diminua e para que a vida possa voltar ao normal”, declarou Zema. A taxa média de isolamento social no Estado, que é de 46,67%, está abaixo do índice nacional, de 49,15%.