Montes Claros está entre as dez cidades do país que mais salvam pacientes acometidos pela Covid-19. O ranking, feito pela Consultoria Macroplan e divulgado pela Revista Exame, traz apenas duas cidades mineiras na classificação: a outra é Ribeirão das Neves, na Grande BH.

A maior cidade do Norte de Minas aparece na sétima posição na recuperação de pacientes. Segundo o levantamento, a taxa de morte por 100 mil habitantes é de 102,1, com base em dados até 23 de março deste ano. Para se ter uma ideia da grandeza desse número, Manaus, que lidera o outro ranking, com maior taxa de óbitos, apresenta 382,5 mortes por 100 mil habitantes.

A pesquisa aponta que os melhores resultados foram percebidos em cidades do interior. Nenhuma capital aparece entre os dez líderes de menor mortalidade. Dos 30.573 casos confirmados de Covid em Montes Claros, 720 evoluíram para óbito. A cidade já soma 28.589 recuperados.

Para os especialistas, uma das explicações para esse resultado positivo estaria no trabalho de excelência realizado por profissionais de saúde e unidades de atendimento aos pacientes que precisam ser internados.

Para a médica Raquel Muniz, à frente do Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro, referência no tratamento da doença em Montes Claros e para várias cidades do Norte de Minas, a notícia vem como um alento em meio ao cenário desafiante que colocou todos em alerta contra o coronavírus.

“O ranking reflete o trabalho dos profissionais da saúde e dos hospitais, que têm se desdobrado para dar conta da demanda. O HC, por exemplo, se estruturou com a pandemia em andamento e conseguiu abrir mais leitos para atender a demanda, com compra de mais equipamentos. Além disso, abrimos um pronto-socorro para atender pacientes com síndromes gripais, adquirimos os cateteres de alto fluxo, contratamos mais médicos, enfermeiros e, com relação aos remédios, temos mantido o nosso estoque buscando fornecedores até de fora do país. Sem dúvida, o HC, com seus profissionais e diretoria dedicados a proteger a vida e lutar por ela usando todos os recursos disponíveis, são fundamentais para Montes Claros estar bem colocada no ranking”, afirma Raquel.

DOENÇA SUPERADA
A explicação da médica Raquel é corroborada por pacientes que venceram a doença. Lila Alkmim comemora a alta da mãe, Denise, depois de 11 dias de internação. “Ela saiu de Januária para receber o tratamento em Montes Claros. É asmática e estava com 50% do pulmão comprometido. Os hospitais daqui estavam lotados e nós conhecemos bem a estrutura do Mário Ribeiro. Graças a Deus, ela conseguiu uma vaga e teve todo o apoio e tratamento que precisava. Eu não pude acompanhá-la, porque também estava com Covid, mas tínhamos acesso às informações sobre a saúde dela, que ganhou até festa de aniversário surpresa organizada pela equipe do hospital, pelos seus 79 anos, completados durante a internação. Foi um tratamento impecável e muito humanizado”, destaca Lila.

 

Aposta em tecnologia avançada amplia possibilidades de recuperação

A entrada de Montes Claros no ranking das dez cidades com menor índice de mortes pela Covid-19 são, na avaliação do economista Aroldo Rodrigues, resultado do investimento em saúde, principalmente pelos hospitais que fazem o atendimento de referência na cidade.

Ele ressalta que, em contraponto às medidas de restrição discutíveis, que atrapalham a economia e não têm eficácia comprovada na redução dos números, o investimento na saúde é essencial. 

“Quando aplicados os protocolos e acesso aos respiradores e equipamentos necessários para o combate ao vírus, as taxas de sucesso são altas e se devem ao aparato e investimentos que foram feitos nas redes dos hospitais públicos e privados. O que pode melhorar ainda mais o nosso desempenho contra a doença é a conscientização da população e a adoção das medidas de isolamento e de cuidados que são preconizados pelos organismos de saúde”, avalia.

Para o enfermeiro Samuel Lima, o trabalho é feito de forma coordenada e organizada. “Nós somos o hospital número 1 para regulação dos laudos e pacientes que precisam de tratamento para Covid. Existe uma pactuação vigente para tratamento clínico, intermediário e cuidado intensivo. São 32 leitos clínicos, 25 leitos credenciados e ativos de suporte ventilatório pulmonar, que é o intermediário, e estamos evoluindo para quase 40 leitos de UTI Covid”.
 
TECNOLOGIA
Samuel ressalta que a unidade apresenta o que há de mais moderno em tecnologia para otimizar o atendimento aos pacientes. “Os equipamentos são da melhor tecnologia possível, como respirador, monitor, cateter de alto fluxo e tomografia para análise do comprometimento pulmonar. E aliado a isso, uma equipe multidisciplinar completa, capacitada, com médicos intensivistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas e fisioterapeutas”.

Ele acrescenta que é muito positivo o fato de o Mário Ribeiro ser um hospital-escola, pois os alunos têm aulas teóricas em sala e a prática no próprio hospital, o que deu bagagem a muitos profissionais que hoje atuam no combate à Covid. 

“São cursos como medicina, enfermagem, odontologia, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição e farmácia. Todas essas grades exploram o espaço para formação dos alunos. Muitos dos profissionais se formam e imediatamente já são absorvidos para auxiliar na situação”, afirma.