Montes Claros chegou a comemorar a marca de 30 dias sem mortes por Covid-19, em 3 de janeiro de 2022. Mas a situação epidemiológica do município tem mudado – assim como em todo o Estado e país – , com aumento de casos confirmados e novas mortes pelo novo coronavírus. 

Com um óbito e 72 novos casos registrados até quinta-feira (6), o município divulgou que a fiscalização para verificar a cobrança do passaporte vacinal será intensificada. A preocupação é que, somados os casos da Covid com os da gripe comum, o sistema público de saúde já está congestionado.

“Na última semana, bancos foram notificados e multados. Quem estiver em desacordo com os decretos municipais poderá ser notificado, multado e ter o empreendimento fechado cautelarmente por crime contra a saúde pública”, alerta o secretário Anderson Chaves, responsável pela Guarda Municipal.

Segundo ele, na quinta-feira um clube foi multado na cidade em 200 Urefs. “Estivemos no shopping na semana passada fiscalizando uma agência bancária e uma academia, que foi notificada”, diz o secretário.

Alvo de polêmica, a exigência do cartão sanitário em Montes Claros chegou a ser suspensa por liminar e, posteriormente, liberada pela Justiça. Há quem questione a cobrança do documento, alegando que fere o direito de quem não quer ser vacinado. Mas há quem se sinta mais confortável ao saber que está entre pessoas imunizadas.

A socióloga e professora universitária Edina Souza Ramos diz que está torcendo pelo momento em que a situação seja tratada como consciência coletiva e respeito ao outro. “O único lugar, até o momento, em que me pediram o passaporte foi no Banco Itaú. Como eu estava portando o cartão e o print no celular, não tive problemas. Foi bem tranquilo. Mas vi pessoas chateadas por terem que voltar para trás, por não estarem com o passaporte”, relata.
 
VIAGEM
Ela conta ainda que em 23 de dezembro os sobrinhos chegaram à rodoviária de Montes Claros, vindos do Rio de Janeiro. Quando eles entraram no ônibus a empresa não comunicou a necessidade do passaporte no desembarque em Montes Claros.

“Eles estavam vacinados, mas não estavam preparados para apresentar o documento. Precisaram recorrer ao aplicativo na chegada. Como estavam só de passagem por Montes Claros e seguiriam viagem, foram liberados. Achei estranha a falta de comunicação. Parecia que queriam flagrar. Criou-se um tumulto na porta do ônibus”, conta Edina.

Já o jornalista Mauro Miranda é enfático ao dizer que é vacinado, mas não concorda com o passaporte. Para ele, essa exigência não pode ser feita apenas em alguns locais e empreendimentos da cidade, teria que ser geral: em coletivos, supermercados, farmácias e hospitais.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Montes Claros, Ernandes Ferreira, diz que o órgão está orientando os associados para que atendam e cumpram a legislação, confirmada pelo Tribunal de Justiça, mesmo em caráter liminar.

“Na entidade temos associados que concordam e outros que não. Mas a nossa orientação é para cumprirem a legislação. Temos feito campanha semanalmente sobre a necessidade de um comércio seguro e pedindo a todos para praticar as prevenções que temos falado, dentro das normas da saúde, como distanciamento, uso do álcool gel, da máscara e exigência do passaporte”.

Para Ernandes, não é o momento de relaxar. Pedimos aos lojistas que não relaxem. “Especialmente agora que estamos com essa variante Ômicron e a gripe Influenza. Os cuidados têm que ser redobrados”, diz o dirigente.