Pouco mais de 20 milímetros de chuva na noite de segunda-feira foram suficientes para levar, literalmente, por água abaixo obras que superam R$ 25 milhões em investimentos em Montes Claros e o sossego de moradores. Ruas e avenidas sem qualquer tipo de sistema de drenagem ficaram alagadas e, mais uma vez, as regiões dos córregos do Cintra e Bicano foram fortemente afetadas pelo temporal.

Como vem acontecendo desde dezembro de 2019, quando começou o período de chuvas mais intensas, a cidade vem mostrando total falta de estrutura para enfrentar as águas típicas do verão e que podem, ao mesmo tempo, trazer alívio no calor e até mesmo no racionamento.

Vias da cidade amanheceram cobertas de lama ou cheias de poças d’água. Ruas que receberam pavimentação sem nenhum tipo de drenagem, nem mesmo bocas de lobo, viraram um rio, dificultando a vida da população e dos comerciantes.

Uma das situações mais graves é a da compactação da ponte do Canal do Cintra, obra orçada em R$ 5,3 milhões. Todo o serviço de limpeza e manilhamento do córrego e de terraplanagem da ponte que liga o centro à BR-135 e ao Grande Delfino se perderam – as duas margens cederam.

O estrago se repete também no canal do córrego do Bicano, na avenida Vicente Guimarães, que vem passando por obras já duramente criticadas por especialistas – orçadas em R$ 19,8 milhões.

Em dezembro, em matéria publicada por O NORTE, o secretário de Infraestrutura e Planejamento Urbano de Montes Claros, o engenheiro civil Guilherme Guimarães, garantiu que as chuvas não prejudicariam o cronograma das obras da avenida e, muito menos, do córrego do Cintra. “Elas foram previstas para ocorrer no período chuvoso e de estiagem”, disse à época.

 

SEM SAÍDA – Marilda viu a calçada do prédio onde mora ser levada

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Moradores ilhados
As chuvas intensas não mudaram a rotina apenas dos moradores do entorno dessas que são as maiores obras em execução em Montes Claros. Na rua Lagoa Santa Helena, no bairro Carmelo, a água transformou a via de acesso em uma autêntica lagoa.

Mas os maiores transtornos foram no bairro de Interlagos, onde a água da Lagoa da Pampulha invadiu a rua Eustáquio Pereira, impedindo a circulação de veículos.

“O problema não é grave, é gravíssimo, porque ontem (segunda) mesmo não entrava carro, estava tudo fechado, porque não temos drenagem alguma nesse e em outros quatro quarteirões”, reclamou o comerciante Reinilson Alves Silva, que reside logo no início da rua.

O estudante Fábio Rodrigues disse que, quando chove, não tem como sair de casa. “Mesmo de moto, só passando por cima do que restou da calçada, e você pode perceber que até a tubulação da Copasa está exposta, corre o risco de ser rompida”, aponta o morador.

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