Pequi, carne de sol, requeijão, queijos, pimenta, cachaça e rapadura são alguns dos produtos característicos do Norte de Minas que chamam a atenção dos turistas. Todas essas iguarias podem ser encontradas em um só lugar em Montes Claros: o Mercado Municipal. Espaço símbolo da gastronomia e cultura da cidade e da região. Daqueles lugares que todos dizem ao turista: você não pode passar por aqui sem ir ao Mercado. Até 2016, o Mercado Christo Raeff era referência para os visitantes, amantes das artes e da boa gastronomia.

Porém, atualmente, visitar o lugar não tem sido nada agradável. A estrutura não oferece conforto nem beleza a quem passa por lá, e muito menos a quem trabalha e depende da renda gerada nas bancas e nos restaurantes para sobreviver.

“Os banheiros estão quebrados, com entupimentos e não têm sabão nem papel higiênico. A lavagem é feita apenas com água. Dependentes químicos utilizam o espaço para fazer uso de entorpecentes e importunam os visitantes. Ninguém em sã consciência tem coragem de utilizar os sanitários”, diz o feirante D.M., que pediu para não ser identificado por medo de represálias.

Em fevereiro de 2020, o Mercado Municipal, que era subordinado à Secretaria de Agricultura, passou a ser gerenciado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico. O objetivo da mudança era para, a exemplo de outros mercados do país, ser inserido na rota do turismo regional. 

Cerca de mil pessoas passavam diariamente pelo local, que abriga em torno de 250 trabalhadores. Mas, em 2020, o turismo deu lugar à insatisfação dos frequentadores e comerciantes. Um visitante chegou a gravar um vídeo que viralizou na internet, reclamando da falta de segurança, a começar pelo estacionamento que exige a colocação de bilhete azul, mas não oferta segurança como contrapartida.

“Se você não colocar o bilhete de área azul, a MCTrans multa. E quando você retorna para buscar o carro, flanelinhas exigem dinheiro e ameaçam bater caso a pessoa não dê. É uma área pública. Eu tenho que pagar para ficar lá e ainda tenho que dar dinheiro aos flanelinhas? É um absurdo. Alguém tem que tomar uma providência urgente”, declarou o visitante no vídeo.
 
SEM GERENCIAMENTO
E os problemas não param por aí. Há quem reclame de alguns feirantes que invadem a área delimitada para as barracas e da ausência de iluminação no local. “Os corredores já são estreitos. É uma verdadeira desorganização. Agora, com a pandemia, ficou pior ainda. Não existe gerenciamento. Está tudo escuro, falta segurança e a limpeza do prédio só é realizada a cada 30 dias. Mesmo com um lixão a céu aberto colado ao mercado, ninguém aparece para fazer a limpeza”, reclama A.N., feirante que garante seguir rigorosamente os limites e, por isso, cobra que os outros também o façam.

“Ao menos agora, nesta pandemia, deveriam dar a atenção que o mercado merece. É muito bonito falar que o mercado é ponto turístico, mas quem vem aqui dificilmente volta. O mercado virou ‘espanta turista’“, pontua A.N..

Procurada, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico respondeu que há um projeto para reformar o local, cuja verba para executar o serviço foi anunciada por um deputado federal da região. Mas, por enquanto, é só promessa e não há previsão para que o dinheiro chegue.

Argumentou ainda que a iluminação teria sido trocada na tarde de quinta-feira e que está prevista, para as próximas semanas, uma intervenção paliativa nos banheiros, enquanto o dinheiro não chega.