O espaço que abriga 350 bancas que vendem produtos típicos do Norte de Minas, atrai moradores de Montes Claros e turistas e é o ganha-pão de centenas de famílias está sendo considerado um barril de pólvora.

Quem entra no Mercado Municipal Christo Raeff, o maior do Norte de Minas, não tem dificuldades em visualizar as inúmeras falhas no sistema elétrico e de prevenção a incêndios. Situação que coloca trabalhadores e frequentadores em risco.

O NORTE rodou, durante quatro dias, pelo local para verificar denúncia feita pelo vereador Ildeu Maia (PP). Segundo ele, o espaço público apresenta instalações elétricas precárias, com “elevado número de gambiarras e inexistência de mangueiras nos hidrantes. “É uma bomba relógio”, afirma o parlamentar.

Ildeu convidou os demais vereadores para fazer uma visita ao local. “O prefeito está brincando com o nosso bem mais valioso, que é a vida. Aquilo ali é uma tragédia anunciada”, avisou.

 
CENÁRIO 
Andando pelos corredores do Mercado, é possível ver os hidrantes sem mangueiras, o que impossibilita o uso dos equipamentos em caso de incêndio.

Além disso, os fios das instalações elétricas estão desencapados e há um emaranhado deles sobre várias barracas, feito trança nos forros, o que aumenta o risco de curto-circuitos e de choques.

Situações que se agravam com a falta de um projeto de combate a incêndios, apesar de o local receber milhares de pessoas toda semana.

O edifício não tem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento exigido por lei, que atesta se o local está regular perante a corporação. Além disso, foi possível verificar que a fiação mais exposta ocorre justamente na parte superior das lojas, onde é armazenada parte dos estoques. 

“É muita caixa de papelão, material altamente inflamável e, caso aconteça um incêndio no mercado, pode juntar o Corpo de Bombeiros de Montes Claros e de todo o Norte de Minas que não vai dar conta de apagar o fogo. Será um incêndio de grandes proporções”, alertou Ildeu Maia, defendendo a necessidade urgente de um projeto de incêndio para o local.

Para o vereador, a simples inexistência do projeto, “por si só, aumenta os riscos”. “A composição de todos estes fatores redunda na falta de segurança, tanto para feirantes como para os consumidores”.
Ildeu afirma que, quando ocorre um acidente, é tratado como fatalidade. “Mas, na verdade, não é. Trata-se de negligência mesmo”, afirma.