Mais uma vez a Campanha Nacional de Multivacinação termina sem que Montes Claros atinja a meta de proteção de crianças e adolescentes. Até esta terça-feira (30), último dia da ação que já havia sido prorrogada por 30 dias, a taxa de 95% considerada ideal pelo Ministério da Saúde estava bem longe de ser alcançada em todas as vacinas disponibilizadas.

A média de cobertura vacinal ficou em 76,9%, índice preocupante e que expõe a população a risco de doenças até então controladas no país, como sarampo e poliomielite.

A dose que alcançou maior número de pessoas foi o reforço da DTP (tríplice bacteriana) em crianças de 4 anos – 91,6%. Essa vacina protege contra a difteria, tétano e coqueluche. No entanto, a primeira dose, indicada para menores de 1 ano de idade, ficou apenas em 77,7%.

O pior desempenho foi a da proteção contra a poliomielite para menores de 1 ano de idade – 69,9% –, seguida da dose de reforço da Tríplice Viral – 70,5%.
 
RISCO
Para a secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, a situação é preocupante. “A cobertura é muito baixa e o país corre o risco de ver voltar doenças que estavam controladas no Brasil”, alerta a gestora da pasta.

E o quadro encontrado em Montes Claros se repete em todo o Estado. “Nenhuma região de saúde bateu a meta em Minas”, cita Dulce. Para ela, é preciso que o Estado entre com uma campanha alertando toda a população para o perigo que é deixar as crianças sem vacina.

Ela ressalta ainda o fato de que o Norte de Minas está em alerta para a febre amarela. Os macacos encontrados mortos em agosto e setembro em cidades da região tiveram o teste positivo para a doença.

Dulce acredita que os pais tenham sumido com os filhos dos postos de vacinação em função da pandemia, mas destaca que é justamente neste momento que a população precisa reforçar a prevenção a doenças.

“Por causa da pandemia, muitas pessoas não estão se preocupando com outras doenças. Mas enfatizamos que as vacinas continuam sendo ofertadas nos postos de saúde de Montes Claros, mesmo com o fim da campanha”.
 
MEDO 
A pediatra e pneumologista Oriana Vieira Carneiro Brant afirma que não há motivos para as pessoas deixarem de tomar a vacina disponível para uma doença existente.

“Insisto muito com meus pacientes sobre a importância da vacinação”, afirma a médica, que confirma a baixa incidência de vacinação no país.

Segundo Oriana, parte desse resultado é consequência da pandemia, pelo fato de os pais não quererem sair de casa com os filhos, por medo da doença. Até mesmo a frequência ao consultório caiu, conta a médica.

Oriana destaca que o Programa Nacional de Imunização (PNI) do Brasil é um dos melhores do mundo. “Não há porquê ignorar isso”, diz.
 
AÇÕES DA SES
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou que, para fortalecer as ações de imunização nos municípios, realizou diversas ações, tais como a distribuição de câmaras refrigeradas, de seringas com agulhas e termômetros. 

Os municípios também receberam cartão de vacina para adulto e recurso financeiro para o fortalecimento das ações de vacinação. A pasta informou que foi feita campanha de divulgação da vacinação e que reforça a importância do aumento das coberturas vacinais como forma de reduzir a incidência e contribuir para o controle, eliminação e/ou erradicação das doenças imunopreveníveis.

O texto aponta ainda que cabe aos municípios a coordenação e a execução das ações de vacinação integrantes do PNI, as estratégias especiais e a gestão do sistema de informação do PNI.

*Com Larissa Durães