Se você atender uma mulher com um X vermelho marcado na palma da mão, saiba que ela está te pedindo socorro. Essa é a orientação para quem trabalha no comércio de Montes Claros, que amplia a campanha lançada nacionalmente no início da pandemia para além das farmácias.

A ação é o resultado de uma parceria entre a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Montes Claros para adesão à campanha “Sinal Vermelho Contra a Violência Doméstica”.

Instituída pela Lei 14.188/2021, a campanha consiste em incentivar as mulheres a romperem o ciclo de violência e, para isso, propõe que aquelas que estejam sofrendo algum tipo de violência e se encontram impossibilitadas de procurar uma unidade policial, possa apresentar um sinal (X) na palma da mão, preferencialmente na cor vermelha, para um funcionário ou atendente de estabelecimentos comerciais para que este acione a polícia.

A campanha teve início no começo da pandemia, apenas em farmácias, e está se expandindo em todo o comércio da cidade. 

Para orientar os funcionários e atendentes, foram produzidos cartazes e um vídeo com as orientações aos lojistas, informando que, em casos de urgência, ele deve acionar a Polícia Militar por meio do 190.

E, no caso em que a vítima não puder permanecer no local, o lojista deve anotar o nome, endereço e telefone, que serão repassados para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Montes Claros.

Os policiais civis ficarão responsáveis pelo recebimento das informações repassadas pelos atendentes das lojas e efetiva apuração dos fatos, e, ainda, acolhimento da mulher em situação de violência.
 
DENÚNCIA 
A delegada Karine Almeida ressalta a importância de se fazer a denúncia. “É importantíssimo que esse lojista faça a denúncia. Ele não será testemunha nem será chamado para o processo”, destaca.

Segundo ela, Montes Claros possui o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), que atende e acolhe mulheres vítimas de violência. “O que a campanha vem nos lembrando, principalmente, é que as questões da violência contra a mulher não são um problema individual, mas coletivo. E sabemos que é muito difícil para a mulher sair de um relacionamento por diversos fatores”, explica. 

“A Lei Maria da Penha é a terceira melhor do mundo no combate à violência contra mulher, mas temos em nosso país alguns dificultadores, como a falta de políticas públicas para dar o apoio previsto na lei”, ressalta a delegada.

Além disso, ela aponta a lentidão na Justiça como um obstáculo para a solução desses crimes. “Isso faz com que muitos processos prescrevam, gerando impunidade”, afirma.
 
SEM ALARDE
Para o delegado geral, Jurandir Rodrigues, chefe do 11º Departamento da PC, a campanha possibilita que mulheres peçam ajuda de forma silenciosa. “Seja porque estão sendo vigiadas pelo agressor ou ameaçadas”, alerta.

Ele destaca que a Polícia Civil conta com a participação e o envolvimento da população na repressão aos crimes contra as mulheres. 

“A CDL enxerga uma causa coletiva. Começamos a distribuir o material da campanha para os lojistas e, posteriormente, passaremos as orientações através dos nossos canais de comunicação”, afirma Ernandes Ferreira, presidente da CDL.

Ele ressalta que os lojistas terão o compromisso de repassar as informações às autoridades responsáveis. “Acreditamos que haverá um grande apoio, pois todos nós temos esse compromisso com essa causa”, explica Ernandes Ferreira.