No último mês, em Montes Claros, pelo menos 60 pessoas caíram no golpe da “chamada travada”. O crime consiste em uma ligação para telefones fixos, em que a quadrilha consegue grampear o aparelho da vítima.

Neste momento, o golpista se passa por um funcionário de agência bancária e informa que o cartão de crédito da pessoa foi clonado e solicita que ela ligue no número que se encontra no verso do cartão. Quando a vítima acha que está ligando para a central do banco, a quadrilha intercepta a chamada e pega os dados pessoais.

O estelionatário informa à vítima que um funcionário buscará o cartão para destruição, porém quem vai é um mototaxista que também faz parte da quadrilha. As vítimas geralmente são pessoas idosas e aposentadas. Sem perceber que se trata de um golpe, o cartão é entregue nas mãos de um dos membros da quadrilha, que faz diversas compras em nome da vítima. Quando a fatura chega, o titular acredita que os valores não reconhecidos no boleto foram gastos pelos golpistas que supostamente haviam clonado o cartão de crédito.

O delegado da Polícia Civil, Bruno Rezende, explica que nenhuma agência bancária envia funcionário para recolher cartões. Outra coisa importante que o delegado destaca é que a vítima, ao receber esse tipo de chamada, não deve fazer outras ligações pelo aparelho telefônico, até acionar a Polícia Civil para “limpar” a linha.

“Ainda estamos atrás dessa quadrilha, que é muito organizada. Além deste crime, ela pratica outros tipos de estelionato em diversas regiões do Estado. Em Montes Claros, 60 pessoas foram vítimas deste golpe em um mês. Consideramos isso muito alto. Vale lembrar que em todo tipo de estelionato deve ser registrada uma ocorrência formal para que consigamos encontrar os envolvidos”, pontua Bruno Rezende.

Ainda segundo o delegado, como um dos membros da quadrilha vai até a residência da vítima, é possível fazer o reconhecimento dos mesmos por meio de câmeras de monitoramento, retrato falado e a placa da moto utilizada.

“O cartão de crédito ou qualquer documento pessoal nunca deve ser entregue a terceiros. Também devemos frisar que não se deve passar dados pessoais por telefone. Neste período de pandemia e isolamento social, os casos de estelionato virtual cresceram 100% na nossa região”, alerta o delegado.

Delegado destaca que a vítima, ao receber esse tipo de chamada, não deve fazer outras ligações pelo aparelho telefônico, até acionar a Polícia Civil para “limpar” a linha

GOLPES VIRTUAIS
O relatório da Polícia Civil aponta que também disparou o número de crimes virtuais, como invasão de computadores, roubo de senhas, violação de dados de usuários e divulgação de informações privadas (como fotos, mensagens etc).
Também cresceram as vendas falsas on-line, em que o golpista não entrega o produto ofertado que, às vezes, nem existe.
 Em 2018, foram registrados 36 casos deste tipo em Montes Claros. Em 2019, foram 40. E de janeiro a abril deste ano, 91.