Gás de cozinha mais caro, energia elétrica com preço de assustar, mês de pagar IPTU. Tudo isso, somado ao valor dos alimentos, que tem assustado qualquer pessoa que vai ao supermercado, contribuiu para que a inflação de junho em Montes Claros fosse a segunda maior do ano, perdendo apenas para a de março (0,75%).

O índice registrado foi de 0,65%, contra 0,62% em maio. No ano, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pelo Departamento de Economia da Unimontes, já acumula alta de 3,64%.

A maior variação de preços foi no grupo Habitação (1,56%), puxado pelo gás de cozinha (5,8%), energia elétrica (1,28%) e IPTU (3,92%). Esse grupo possui o segundo maior peso na composição da taxa, mas foi o que mais contribuiu para a alta da inflação em Montes Claros.

O botijão de gás de 13 quilos já passa dos R$ 100 na cidade. Segundo Enéas Rodrigues, vendedor do produto, pessoas que compravam para reservar já não fazem isso mais.

“Compram apenas na hora que acaba mesmo”, diz. Segundo ele, o aumento do gás anunciado pela Petrobras na última segunda-feira já foi repassado ao consumidor nesta semana. “Estamos com o preço novo variando entre R$ 100 e R$ 105”.

E para o próximo mês, o aperto deve continuar, já que a bandeira vermelha que vem sendo cobrada na conta de luz foi reajustada em mais de 50%. Peso que vai desequilibrar muito orçamento doméstico.
 
ROUPAS
E os preços subiram também em outros setores, como o Vestuário, que registrou alta de 0,94%, provavelmente impulsionada pela chegada do frio. Destaque para o valor de cobertores, que sofreu reajuste de mais de 15%. Já os moletons tiveram aumento superior a 5%.

“Percebi um aumento nos preços de vestuário nos últimos meses. Penso que a pandemia tem gerado esse descontrole nos preços. Por mais que muitas pessoas têm ficado em casa, não tendo que usar tanta roupa para trabalhar ou até mesmo para sair, é perceptível o aumento, não só no vestuário, mas também em produtos de limpeza, frutas, verduras, carne e no botijão de gás”, afirma a esteticista Mayeutica Barbosa, de 34 anos.

E por falar em alimentos, a conta do supermercado tem ficado cada vez mais salgada. Em junho, a variação nos preços foi até um pouco menor – 0,12% –, mas o impacto, ao final do mês, é difícil de administrar. 

Entre os produtos industrializados, a maior alta foi na mostarda (17,29%), no pão de queijo (9,45%) e leite longa vida (5,63%). Nos in natura, o consumidor precisou gastar mais para levar para casa o abacate (8,94%), o alho (8,5%) e a abóbora (6,59%).

“Ultimamente tenho observado uma alta muito grande dos preços. Percebo que o aumento é gradual e constante. Acaba que substituímos muitas coisas na alimentação. Procurei, junto com a minha esposa, alimentos saudáveis mas com valor que cabe no bolso. Passamos a usar mais frutas e folhas e substituir a carne vermelha por frango”, conta o designer gráfico Felipe Araújo, de 27 anos.
*Com Leo Queiroz