Adultos jovens são os principais “fujões” da segunda dose da vacina contra a Covid-19 em Montes Claros. Representam a maioria dos 10 mil a 12 mil moradores que estão com o reforço atrasado, e por isso mobilizam as autoridades de saúde. Em Minas, o número de pessoas na mesma situação chega a 2,2 milhões. Sem a cobertura vacinal completa, continuam vulneráveis ao coronavírus, com muito mais chances de desenvolverem um quadro grave de Covid-19 ou morrerem.

O cenário levou a Secretaria de Estado de Saúde a recomendar que os municípios identifiquem quem está “desprotegido” e façam uma busca ativa deste público, para que fique com a vacinação em dia. Até o momento, mais de 55 mil mineiros perderam a vida após contrair o vírus.

“O esquema (vacinal) incompleto reduz a capacidade de proteger o indivíduo. Diante da circulação de uma cepa, como a Delta, que já tem algumas modificações contra as quais a vacina se torna um pouco menos efetiva, tendo uma capacidade de transmissão maior, a gente precisa de níveis muito altos de anticorpos”, diz o infectologista Alexandre Sampaio Moura, da Santa Casa de Belo Horizonte. “A primeira dose vai servir para estimular inicialmente o sistema imunológico. Mas isso só se consolida com a segunda dose, quando o corpo entende como combater o vírus”. 
 
CALENDÁRIO
Secretária de Saúde em Montes Claros, Dulce Pimenta explica que o percentual de imunização prometido por cada fabricante de vacina só é atingido com a segunda dose. “Daí a importância de que as pessoas fiquem atentas à data do reforço, pois só com ele teremos a garantia de impacto na redução da mortalidade e do agravamento de casos”, diz. 

Na cidade, o intervalo de aplicação entre as doses para quem tomou a vacina da Pfizer ou Astrazeneca foi reduzido de 12 para oito semanas. Para quem recebeu a CoronaVac, o período entre uma e outra é de 28 dias.
 
ABAIXO DA META
O público que apresentou a maior dificuldade para ser vacinado em Montes Claros foi o de adultos jovens – inclusive na primeira dose. A meta de cobertura vacinal – mínimo de 90% – só não foi atingida por esse grupo, ficando um pouco acima de 80%. 

A explicação para a “resistência” pode estar no fato de que esse público, além de ter uma mortalidade mais baixa para a Covid em relação aos idosos, por exemplo, forma também a população economicamente ativa, que acabou mais exposta à contaminação ao sair de casa para trabalhar durante a pandemia. 

Uma parcela deles pode ter ficado doente, mas com quadros leves, arrisca a secretária. Mas ela reforça o alerta de que ninguém deve deixar a segunda dose de lado. Para atingir especificamente essa parcela da população, a estratégia adotada é intensificar as campanhas sobre a importância da vacinação em redes sociais, que atingem mais facilmente esse grupo, e permitem maior sensibilização. As equipes de Saúde da Família também identificam quem está com a segunda dose atrasada após uma semana da data prevista para o reforço e promove a busca ativa desses ausentes. 

O uso de máscara e de outras medidas preventivas continua sendo essencial. Até ontem, Montes Claros havia registrado 975 mortes por coronavírus.