Ciclistas de Montes Claros passam a ser, oficialmente, guardiões do Parque Estadual da Lapa Grande. Um acordo assinado entre o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e a Associação de Ciclistas de Montes Claros (Aciclomoc) vai permitir que os praticantes do esporte desenvolvam ações de preservação e prevenção dentro da unidade de conservação.

A assinatura do acordo aconteceu no Dia do Ciclista, comemorado em 19 de agosto, e com a presença de cerca de 200 amantes da bike.

Segundo o coordenador do Núcleo de Biodiversidade do IEF, Washington Lemos Ramos, o objetivo da parceria é o desenvolvimento de ações de proteção e conservação da biodiversidade, educação ambiental e uso público e apoio à ciclomobilidade dentro do parque.

“Atrelado a este termo de cooperação está sendo desenvolvido um plano de ação que prevê atividades em datas especiais, todas elas de cunho ambiental, desenvolvidas dentro da unidade. Isso vai ajudar a equipe do parque, na prática, com ações de prevenção de incêndios, blitze ecológicas e o uso público, conscientizando os ciclistas sobre a correta utilização e a consciência de preservação da unidade”, destaca Washington.

O parque tem como predominância o bioma Cerrado e abriga mananciais responsáveis pelo abastecimento de aproximadamente 35% da população de Montes Claros.

“O Parque da Lapa Grande é uma joia do Norte de Minas. A área é duas vezes maior do que o centro urbano de Montes Claros. É até muito difícil tomar conta de toda essa área”, afirma Sérgio Costa de Oliveira, presidente da Aciclomoc.
 
PARCEIROS
Ele destaca que os ciclistas pretendem promover uma aproximação com as pessoas dentro do parque. “Os ciclistas vão poder ajudar a cuidar e valorizar essa unidade de preservação, frequentando o local com o pensamento na preservação ambiental”, explica.

Sérgio conta que esse projeto existe desde 2017 e se tornou viável a partir da criação formal da Aciclomoc, em 2020. Para chegar ao parque, os ciclistas não abrem trilhas, mas utilizam as vias de acesso já existentes, evitando o impacto no meio ambiente.

A partir da parceria com o IEF, os praticantes da atividade poderão monitorar um foco de incêndio, uma invasão de gado ou de terreno ou até fazer um relato da presença de determinados animais.

“Agora estamos partindo para ampliar os projetos. Passando por uma fase de recolher dados e começar a preparar o uso de um aplicativo. Os ciclistas vão poder fazer foto de uma vegetação, de uma árvore, de um pássaro e começar a mandar isso para o IEF ter uma estatística do que acontece”, diz Sérgio.

Ele ressalta que as unidades de conservação não têm funcionários suficientes para cobrir toda a área e que a ajuda dos ciclistas será de grande importância. “Não tem nada melhor do que ter um ciclista que vai em todos os cantos, se desloca com facilidade. Não há funcionários suficientes para isso e nós vamos poder colaborar”, celebra Sérgio.

Para o presidente da Aciclomoc, a iniciativa abrirá caminho para outros esportes de contato com a natureza e não motorizados, como o trekking, arborismo e observadores de animais silvestres. 
 
PERTENCIMENTO
Isso derruba o conceito, na avaliação de Sérgio, de que áreas de conservação devem sempre estar isoladas das pessoas. Isso está mudando, com exceção dos locais que exigem este isolamento por uma ou outra peculiaridade. Os espaços, opina, devem criar a sensação de pertencimento.

“Muita gente ainda não conhece o parque, explora pouco a área. O parque oferece pouco (em infraestrutura), mas a gente está criando uma demanda para impelir o parque a oferecer mais conforto, mais estrutura. A melhor maneira de educar as pessoas com relação ao meio ambiente é fazer com que elas estejam lá dentro, entendam como se posicionar, quais são as restrições e porque elas existem”, ensina o ciclista.

A Aciclomoc, segundo Sérgio, está em permanente atividade, promovendo treinamentos e lives com profissionais capacitados e temas que vão desde a educação no trânsito e mobilidade urbana à prevenção de ataques de cães.

De acordo com a associação, os temas não são exclusivos para ciclistas, mas sempre focam no esportista como cidadão em harmonia com os espaços urbanos.

Dentre as mais de 50 cavidades registradas no parque, destaca-se a Lapa Grande, pelo fato de ser uma das maiores do Estado, com 2,2 quilômetros de extensão, e por sua importância histórico-cultural. O complexo de sistema cárstico que abrange parte da área apresenta em sua extensão afloramentos rochosos de calcário, chegando, em alguns casos, a mais de mil metros de altitude. Nestes afloramentos, predominam diversas espécies de cactos e de bromélias