A Feira Livre do bairro Major Prates, que serviu de modelo para a criação de outras três em bairros da cidade, pode chegar ao fim, depois de 33 anos ininterruptos de atividade. O Decreto Municipal 4.199, que regula a realização das feiras na pandemia, impõe distanciamento de 20 metros entre as barracas, o que inviabiliza o evento, de acordo com Loranildo Araújo, presidente da Associação dos Feirantes do bairro.

“Quem fez esse decreto, certamente, nunca frequentou uma feira e não conhece nada do assunto. Cinco metros são suficientes e dá para abrigar todo mundo, até porque, dos 200 cadastrados, só uns 100 estão vindo, por causa da pandemia”, disse o produtor, pontuando que desde a edição do documento, as adequações foram feitas e o trabalho é desenvolvido de maneira organizada.

“As barracas, como as que vendem espetinhos e outras coisas para consumo no local, não fazem parte da feira mais, como foi exigido. Retiramos a cobertura, praticamente todos os produtores já têm a sua tenda, e reduzimos de quatro para duas fileiras apenas, aumentando mais um quarteirão na avenida, para manter distância”, explica, acrescentando que a maioria dos produtores vem da roça e, com o dinheiro arrecadado, já fazem suas compras no supermercado.

“É isso que está garantindo o sustento de muitas famílias. Quem está quase passando fome não deixará de vir, mas a responsabilidade será toda da prefeitura”, diz Araújo.

“Lamento muito pela maneira como a situação foi conduzida. Domingo, os guardas fecharam o espaço sem comunicar o motivo. Os feirantes chegaram com suas coisas na madrugada e não puderam montar as barracas. A alternativa para não voltar com as coisas sem vender foi usar a rua lateral, estreita e apertada. Os guardas continuaram na avenida, mas não fizeram nada para impedir a aglomeração na rua”, disse.

No domingo mesmo, revela, os feirantes seguiram até a casa do prefeito Humberto Souto, em manifestação que pedia a revisão no decreto.

A Prefeitura de Montes Claros informou que, “com relação à situação das feiras, os representantes se reuniram na Secretaria de Defesa Social e ficou acertado que não poderiam acontecer em desacordo com os decretos municipais. Os representantes estavam cientes das providências adotadas”.