O mundo vem gritando, há meses, contra a violência que vitima negros, principalmente os mais jovens. Nos Estados Unidos, os protestos tomam as ruas e alertam a comunidade para essa injustiça após o jovem George Floyd ser estrangulado por um policial branco. Na manhã de ontem, foi a vez de Montes Claros entrar nesse movimento. Cerca de 200 pessoas se mobilizaram na praça de Esportes, no Centro da cidade, para pedir justiça pela morte de Josué Nogueira.

O jovem, de 16 anos, foi morto há uma semana com um tiro na cabeça, que teria sido disparado por um policial penal, que está em liberdade. O garoto estava com um grupo de amigos quando o crime aconteceu, no dia 21 de julho.

A intenção do ato é chamar a atenção do poder público para que o suspeito seja preso, julgado e condenado. O policial penal chegou a ser detido, mas foi liberado no mesmo dia do crime.

“Nada vai trazer meu sobrinho de volta, mas saber que este homem está solto e que ainda podemos encontrar com ele por aí, aumenta ainda mais a dor da nossa família. Josué foi morto por uma irresponsabilidade, não vamos deixar isso passar”, diz Ellen Teixeira, tia de Josué. 
 
VIOLÊNCIA
Pesquisa divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 75% das vítimas da violência letal no Brasil são negras. Jovens negros morrem mais do que jovens brancos; mulheres negras morrem mais assassinadas e sofrem mais assédio do que as brancas.

Os dados, segundo a instituição, alertam, mais uma vez, para a relação entre violência e racismo.

O crime contra Josué chocou o Brasil. Na semana passada, a hashtag #JusticaporJosue ficou entre os primeiros assuntos discutidos no Twitter. C antores como Ludmilla, Nego do Borel e Emicida se uniram à causa e compartilharam o caso.

Josué era considerado o “homem da família”, tinha duas irmãs mais velhas. A família ainda não conseguiu mexer nas coisas do garoto que tinha muitos amigos pelo bairro onde morava. 

CRIME
Imagens do circuito de segurança de uma casa vizinha ao local do crime mostram Josué sentado em uma calçada com amigos, quando o policial penal sai com a arma em punho. 

De acordo com o boletim de ocorrência, o policial penal afirmou que atirou em um grupo de pessoas que teria lançado pedras e garrafas por quatro vezes no telhado da casa onde mora. 

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios como homicídio consumado.