Até 2016, a Prefeitura de Montes Claros assumiu a tarefa de transportar os alunos da rede estadual de ensino por entender que o ir e vir dos estudantes é uma garantia de direitos do cidadão, embora não haja uma legislação que obrigue essa prática.

No entanto, ao assumir a gestão, em 2017, o prefeito Humberto Souto cortou o transporte escolar e, de acordo com moradores dos três conjuntos habitacionais – Monte Sião I, Monte Sião IV e Minas Gerais –, usando como argumento que aguardaria um recurso do Estado para continuar transportando os alunos.

Dois anos depois, ainda sem solução, a situação foi levada ao Ministério Público, que impetrou uma ação civil na Vara de Infância. A ação está em tramitação.
 
ÔNIBUS PARADOS
Uma parte da frota de ônibus escolares adquirida na gestão passada está em uma fábrica desativada, cujo terreno foi comprado pela prefeitura. Outra parte está estacionada na avenida Governador Magalhães Pinto, uma das mais movimentadas da cidade, estreitando a pista e oferecendo risco à passagem de veículos pesados.

A secretária Municipal de Educação, Rejane Veloso, não atendeu às ligações da reportagem até o fechamento da edição. O presidente da MCTrans, José Wílson Guimarães, não foi encontrado para falar sobre a utilização da via como estacionamento público.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação informou que a pasta garante o transporte escolar gratuito para os alunos residentes na área rural, que não há valores para serem repassados à Prefeitura de Montes Claros e que, em 2020, mesmo não tendo uma legislação que especifica o transporte para a área urbana de Montes Claros, caso não haja acordo com a prefeitura, o Estado irá assumir o que a Justiça determinar.

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