Há exatos cinco dias sem água, moradores do bairro Maracanã buscam explicação da Copasa e do município para o desabastecimento naquela região. Cansados de esperar por uma resposta, trouxeram o assunto a público por meio de reclamações nas redes sociais e na Câmara Municipal. O NORTE foi até o bairro para ouvir moradores.

“O que não entendemos é que em setembro tivemos essa mesma situação. Ficamos cinco dias sem água e o valor da conta veio o dobro. Nada justifica. Se acontecesse isso ao longo de um ano, mas são dois meses seguidos”, reclama José Alves.

Para ele, não há compromisso da empresa em passar informação real aos consumidores.

“Quando houve rodízio era de dois dias por um e nós podíamos controlar. Agora não temos a quem recorrer em Montes Claros. Quando a gente liga para lá, atendem em Belo Horizonte. De manhã falam que existe uma rede estourada e que a água vai voltar gradativamente. Quando a gente liga à tarde dizem que não há registro de falta de água. É um jogo de empurra”, diz.

A esposa Julieta Ferreira revela que uma amiga moradora de outro bairro chegou a oferecer para levar dois galões de água em um carrinho de mão.

“Imagina a pessoa sair de outro bairro pra socorrer a gente. A última vez que veio água aqui foi no dia 10 e muito fraca. Meu esposo saiu de uma cirurgia e teve que tomar banho de balde. Somos quatro pessoas na casa e não desperdiçamos água”.

Manoel e Lucilene integram o time dos insatisfeitos. “Quando a gente procura a Copasa eles falam que tem que fechar registros e economizar água para não faltar no fim de ano, porque a barragem está baixando”, diz Manoel. 
 
CONTRATO
Em 2018 o prefeito Humberto Souto assinou contrato que permite a Copasa explorar o serviço de água e esgoto em Montes Claros por 30 anos. O valor de R$ 700 milhões prevê investimentos e melhorias.

O vereador Valcir Soares alerta que o Legislativo pode pedir a revisão do contrato, caso ele não seja cumprido. O parlamentar atribui a responsabilidade à Amasbe, agência criada para fiscalizar o serviço. “Queremos saber onde o dinheiro está sendo investido”.

O Secretário de Infraestrutura e Planejamento Urbano, Guilherme Guimarães, também presidente da Amasbe, não foi encontrado para falar sobre o assunto.

Em nota, a Copasa afirmou que o abastecimento no bairro Maracanã está sendo feito normalmente. “Paralisações pontuais do fornecimento de água que ocorrerem temporariamente são necessárias para possibilitar a execução de serviços de manutenções corretivas e preventivas do sistema de abastecimento”, alegou.

Segundo a Copasa, 17.932 imóveis que tinham desconto de até 55% nas tarifas tiveram o benefício cancelado pois os proprietários dessas residências não apresentaram a documentação para manter o benefício