Moradores do bairro José Corrêa Machado, em Montes Claros, convivem diariamente com o risco de contaminação provocado por um esgoto que corre a céu aberto no local, próximo ao Parque dos Mangues.

No período chuvoso, a situação fica insustentável e o perigo aumenta. O esgoto transborda e os pedestres transitam pela água suja e lamaçal que se forma.

“São problemas repetitivos que, se tomarem as medidas corretas, não acontecerão mais. Precisamos do asfalto porque não tem como trafegar na rua e ela está ao lado de uma pista de caminhada”, reclama Admilson Vidal, morador do bairro que usa a via diariamente para acessar outros locais da cidade.

Ele acrescenta que “muita gente já faz pelo bairro, mas a prefeitura tem que fazer a parte dela”. M.S. usa a pista de caminhada para se exercitar e diz ficar indignada com o quadro que vê.

“É uma situação estranha. Fazem propaganda de obras e tratam o bairro como se ele não fizesse parte da cidade. Nós merecemos respeito. Qualidade de vida não é luxo, é necessidade básica que só vem quando os problemas são tratados na raiz. De que adianta uma pista de caminhada para cuidar da saúde se colocam a nossa saúde em risco todos os dias com essa sujeira?”, questiona a moradora.

O problema foi abordado pelo vereador Wílton Dias (PSD) nesta semana durante pronunciamento na Câmara Municipal. O parlamentar chegou a dizer que “está preocupado com a aprovação da Lei 5059, votada pelos próprios vereadores”, cujo teor dá ao Estado o poder de fiscalizar as ações da Copasa, órgão que já é subordinado ao Estado.

Em outras palavras, o convênio enviado pelo Executivo à Câmara deixa explícito que a concessionária responsável pelo serviço de água e esgoto no município é seu próprio fiscalizador.
 
AGÊNCIA
Embora tenha sido criada para tratar de ações relacionadas ao tema na cidade, a Agência Municipal de Água, Saneamento Básico e Energia de Montes Claros (Amasbe) não aparece no site da prefeitura com um endereço ou contato válido, a exemplo das outras autarquias. A última notícia que cita o órgão data de setembro de 2019. O procurador do município, Otávio Rocha, não foi encontrado pela reportagem para falar sobre o assunto.

Em nota, a Copasa informou que a desobstrução da rede de esgoto do bairro José Corrêa Machado seria providenciada ainda ontem. Ainda de acordo com a nota, “a Copasa esclarece que a obstrução da rede de esgoto no local é provocada pelo lançamento indevido de água de chuva no sistema de esgotamento sanitário, que em período de chuva carrega lixos que provocam o entupimento da tubulação. O sistema de esgotamento sanitário é projetado para receber esgoto doméstico das pias de cozinha, tanques e instalações sanitárias”.