A magia do Natal e o encantamento por Papai Noel não levam em conta cor, classe social e muito menos idade e proporcionam alegria até mesmo em uma das zonas mais quentes de criminalidade de Montes Claros. Na última segunda-feira, a Conferência Cidade Cristo Rei, conhecida como Feijão Semeado, foi palco desse encantamento.

O riso solto que contagiava a todos, principalmente crianças e idosos, marcou o evento do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) da Polícia Militar de Minas Gerais e da Escola Estadual Coronel Filomeno Ribeiro.

Os protagonistas da festa conseguiram oferecer uma tarde mágica para os moradores em situação de vulnerabilidade social: Papai Noel e o Amigo Legal, mascote concebido pela PM.

Eles distribuíram brinquedos, balas e refrigerantes e eram solicitados para tirar fotos com os verdadeiros donos da festa que, em poucos minutos, tomou conta das ruas e vielas.

Tão logo a multidão tomou conta da rua Viçosa, a tataravó Maria Virgulina se entregou a um abraço e beijo regados a riso e choro no cabo Amigo Legal. A atitude dela resumiu todo o sentimento da comunidade com relação à celebração do nascimento do Menino Jesus.

Dona Virgulina, aos 84 anos, não conseguia esconder a felicidade. “Foi um dos momentos mais marcantes em minha vida”, garantiu a mulher que, entre filhos, netos, bisnetos e tataranetos, soma “mais de cem anjos que Deus colocou em minha vida”.
 
PERSONAGENS
Por trás da alegria sem medida de dona Virgulina, dois cabos muito especiais: Alan Mendes Pereira, Papai Noel de primeira viagem, e Davidson Soares Martins, o Amigo Legal. 

Dois amigos leais que, em escola da comunidade, transmitem o ano inteiro para os meninos e meninas valores sociais e princípios morais. Em viaturas-trenós, chamavam pelo megafone e batiam de porta em porta para distribuir felicidade. Uma ação cidadã que aproxima de forma assertiva a comunidade e a Polícia Militar, acertando em cheio o coração de uma gente que, ao longo de muitos anos, acostumou a conviver com o corre-corre, com o barulho de sirenes, com a dor.

Mas, às vésperas do Natal, a dor ficou de lado. Uma hora antes do espetáculo, nos bastidores, os militares brincavam feito crianças enquanto se aprontavam. “Para entrarmos no clima”, disse o cabo Papai Noel Alan Mendes, de 40 anos, 12 deles a serviço da corporação.

“Eu trabalho com as crianças o ano todo e sei que vão gostar, porque para eles o mundo é encantado, é fantasia. Foi um presente estar com o 5º ano no primeiro semestre e com o 7º no segundo”, relatou.

Davidson Soares, o cabo Amigo Legal, no camarim da Escola Estadual Coronel Filomeno Ribeiro se mostrava tão alegre como a própria fantasia. “As pessoas, quando chegam perto do Amigo Legal, logo abrem o sorrisão, porque é a imagem mais humanizada, enxergam com outros olhos o trabalho e importância da polícia. Então, é um serviço diferenciado, reclama carisma e pré-disposição”, afirmou. 

MASCOTE – Maria Virgulina, de 84 anos, se emociona com o Amigo Legal

MASCOTE – Maria Virgulina, de 84 anos, se emociona com o Amigo Legal

Emoção e presente para todas as idades
Dona Cláudia Ferreira dos Santos mora há meio século na favela mais conhecida de Montes Claros e entrou na fila dos brinquedos quatro vezes. “Não posso deixar sem a lembrança meus quatro netos. Estou radiante, coisa mais maravilhosa que aconteceu em minha vida. Eita glória, ainda bem que vocês estão aqui para registrar esse instante”.

Mesma emoção da bisavó Maria do Carmo Alves da Silva. “Estou feliz demais”, externou em prantos. “Papai Noel sempre foi pura mágica para meus filhos, os 21 netos e o bisneto Bryan, que no dia 7 de janeiro faz quatro anos. Por isso, minha alegria é intensa (choro), estou em êxtase”. 

Rebeca, de 3 anos, e o irmão Luíde, de 8, eram só alegria. “Estamos em festa. Minha filha aguardava com ansiedade essa festa porque somos amigos de todos os policiais. O ano inteiro nos dão cestas básicas, nos ajudam demais”, revelou Sílvia, mãe das duas crianças.