Dois irmãos foram presos pela Polícia Federal, em Montes Claros, na manhã deste sábado, suspeitos de extraviar dois aparelhos respiradores da Santa Casa. A Operação "O2" cumpriu dois mandados de prisão e três de busca e apreensão - em uma empresa e na casa dos envolvidos.

A investigação começou há uma semana, quando foi dada a falta dos dois equipamentos. Um deles foi encontrado em São Paulo e comercializado por R$ 25 mil, valor bem abaixo do custo real dos aparelhos, avaliados em cerca de R$ 100 mil. O baixo valor chamou a atenção dos compradores, que suspeitaram que o produto poderia ser oriundo de roubo. O segundo aparelho foi entregue diretamente na Santa Casa.

De acordo com o superintendente da Santa Casa, Maurício Sérgio Silva, através de procedimentos internos, o hospital detectou a falta de dois aparelhos respiradores. “Após a falta desses dois aparelhos, foram levantados os procedimentos preliminares e administrativos e, logo em seguida, foi levado ao conhecimento da Polícia Federal o extravio deles", explica.

Os equipamentos, segundo Maurício, foram adquiridos com verba repassada pelo governo federal no combate à Covid-19. Um dos suspeitos envolvidos na situação já trabalhava há muitos anos no hospital como enfermeiro. Ele foi imediatamente desligado do cargo.

De acordo com o delegado-chefe da Polícia Federal em Montes Claros, Gilvan Garcia, as investigações vão continuar. “Iremos fazer a análise dos depoimentos e do material apreendido e verificar se existem outras pessoas por trás desses furtos, ou se se resume apenas às duas pessoas que foram presas nesta data", afirma.

Gilvan Garcia adianta que há informações sobre possível participação de outras pessoas de outros estados. "Tirar esses aparelhos, que poderiam estar sendo utilizados para manutenção de vidas na cidade, é muito grave. A operação também poderá ser ampliada a outros estados e outros hospitais da região”.

Outra empresa em Montes Claros também é investigada por participação nos crimes e a Polícia Federal não descarta o envolvimento de mais pessoas no esquema. Se condenados por furto e associação criminosa, os dois suspeitos poderão cumprir até sete anos de reclusão. A investigação segue sob sigilo.

Os dois detidos foram encaminhados a uma unidade prisional local, onde ficam à disposição da Justiça.