Aos 40 anos, Betânia Rodrigues da Silva está em tratamento contra um câncer desde outubro do ano passado. Perder os cabelos, diz ela, foi uma das etapas mais delicadas desse processo desafiador. “A autoestima de uma mulher está muito ligada ao cabelo. Dizemos sempre que o cabelo é como uma roupa e estar sem ele é como estar nua. Só quem passa é que sabe”. 

Para Betânia, o acesso gratuito a uma boa peruca, feita com cabelos naturais e que custa de R$ 6 mil a 9 mil, fez toda a diferença na recuperação da autoestima. 

Diferença também faz a disposição de muitas pessoas em contribuir com a campanha batizada “Dia C”. Ação promovida pelo hospital Dilson Godinho, por meio do Grupo de Trabalho e Humanização (GTH), em parceria com o Salão Elibee Lhais Borém e Oficina do Cabelo (que confecciona as perucas), visa a incentivar doações de cabelo.

Ao ver a divulgação da campanha pelas redes sociais, a dona de casa Sarah Gusmão, de 25 anos, não teve dúvidas. “Não tenho palavras para mensurar tamanha felicidade ao saber que a pessoa que vai receber o meu cabelo vai se sentir mais mulher”, declarou. 

“Quando vi o quanto a causa é nobre, resolvi doar, pois sei que o uso vai para uma justa causa”, destaca o estudante Fabrício Magalhães. 
 
REDE DE APOIO
A supervisora Lígia Beatriz Santos conta que o ‘Dia C’ começou há seis anos. “Quando as pacientes começam a nos procurar podemos dar a elas a possibilidade de experimentar as perucas. Assim, elas procuram as que se parecem com o cabelo delas ou que as faz se sentir bem”, observa. 

“Precisamos de parceiros para realizar os eventos, pois são totalmente gratuitos e necessários”, frisa Michele Antunes, responsável pelo GTH.

A psicóloga do projeto, Franciele Miranda, ressalta que a peruca solidária ajuda a amenizar algumas dores emocionais do tratamento oncológico. “Damos a elas o mínimo para diminuir a dor”. 

Lhaís Borém, dona do salão parceiro, lembra que a ação começou na ala oncológica do hospital. Com a pandemia, mudou para o salão. “Neste ano queremos bater a meta de 200 (cortes)”.

“Toda mulher que recebe esse diagnóstico fica muito sensibilizada. Tentamos motivá-las”, diz a assistente social Rozilene Souto.