Uma queda de 60% no estoque do banco de leite do Hospital Aroldo Tourinho, em função do novo coronavírus, faz a campanha Agosto Dourado ter ainda mais importância em Montes Claros. O mês é dedicado à intensificação das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. E, nesta edição, chama atenção das doadoras que praticamente sumiram desde o início da pandemia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação é a fonte de alimento que fornece os nutrientes necessários para a sobrevivência e o desenvolvimento dos recém nascidos. Nos primeiros seis meses devida, o leite materno deve ser exclusivo para os bebês, sem a complementação de nenhum outro alimento. 

Segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), realizado pelo Ministério da Saúde, entre fevereiro de 2019 e março de 2020, menos da metade das crianças brasileiras menores de seis meses de vida (45,7%) foram amamentadas exclusivamente com leite materno. Apesar do baixo índice, o Brasil registrou aumento no número de crianças de até seis meses que receberam amamentação exclusiva já que, em 2006, esse percentual era de 37%.

O Hospital Aroldo Tourinho possui o único banco de leite do Norte de Minas. Porém, os hospitais das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira e Clemente de Faria estão aptos a captar e receber as doações de leite. Ambos oferecem o serviço de ir até a casa das mulheres lactantes que têm leite para o filho recém nascido e ainda para doar. De acordo com o Hospital Clemente de Faria, de janeiro a julho de 2019, a unidade recebeu 256 litros de leite de 26 doadoras. Neste ano, no mesmo período, foram 170 litros de leite de 13 doadoras

Anne Caroline Dias Santos, biomédica e responsável técnica pelo banco de leite do Aroldo Tourinho, explica que o material é recolhido diretamente na casa da mãe doadora, inspecionado em laboratório e, após constatada a qualidade, passa pelo processo de pasteurização. Somente depois disso é validado e enviado para os recém nascidos que precisam do alimento.

“Além desse trabalho, destacamos também a promoção e proteção do aleitamento materno através de atividades diversas como palestras, capacitação de equipes de saúde e atendimento a mães com dificuldades no manejo da amamentação”, afirma a biomédica.

A advogada Cecília Mendes é mãe de três filhos, sendo que a caçula, Lis, está com oito meses de vida. Mesmo optando por amamentar a pequena após o período recomendado, a advogada consegue doar – ato que ela mantém desde o primeiro filho. “Eu fui agraciada com muito leite, mesmo antes de a minha filha nascer, já tinha muito. Comecei a doar após o nascimento do meu primeiro filho. Ele não mamava muito, então meu peito começou a empedrar. Foi aí que descobri a doação do leite materno e fiz. Foi um alívio para mim, porque quando meu filho não queria o peito, meus seios doíam muito. Agora, a Lis já está desapegando do peito, mas quero continuar fazendo isso e ainda consigo doar”, ressalta Cecília.

AGOSTO DOURADO
A representante da Organização Pan-americana da Saúde (Opas) no Brasil, Socorro Gross, ressalta a importância da amamentação e do apoio à mulher nesse momento, tanto pelo poder público quanto por organizações, famílias e pelo conjunto dos cidadãos. Ela chamou a atenção também para os bancos de leite como políticas públicas para alcançar quem possui dificuldades.

“Quando temos perda de mãe, ter banco de leite humano faz diferença para o neném conseguir amamentar. Manter esses bancos de leite em todos os cantos é importante. Aleitamento materno sempre será, em qualquer país, a razão de ter realmente crianças mais saudáveis”, enfatizou.

A Opas e o Ministério da Saúde lembraram que o aleitamento materno traz um conjunto de benefícios como reduzir em até 13% a mortalidade infantil em crianças menores de 5 anos, diminuir a chance de diabetes, alergias, infecções, diarreias, otites e obesidade, e reduzir os custos com tratamento de saúde.

*Com Agência Brasil