Depois de editar decretos que permitiam apenas o funcionamento de serviços essenciais na cidade, a Prefeitura de Montes Claros publicou nova resolução que flexibiliza o funcionamento do comércio local, desde que respeitadas regras elencadas no texto. A comercialização de bens de consumo pode ser feita, por exemplo, por meio de encomendas via telefone ou internet e com entregas por delivery, já permitido para bares e restaurantes.

O decreto permite o funcionamento de lojas a portas fechadas e aquele que colocar funcionário para trabalhar deve imediatamente criar um plano de funcionamento emergencial, que inclui atendimento de idosos e grupos de risco em lugar e horário especial.

Apesar dos protestos e carreata de comerciantes de Montes Claros que pleiteiam a reabertura total dos estabelecimentos, muitos deles apoiam a suspensão dos serviços e as recomendações do Ministério da Saúde, e estão apostando nas vendas on-line para reduzir o prejuízo.

É caso de Luciana Drummond, proprietária de duas lojas de calçados. Há 23 anos no comércio, ela declara nunca ter passado por crise semelhante. Apesar disso, aposta na vida em detrimento dos negócios.

“Se existe a determinação, vamos cumprir. O momento é de esperar. A gente vive do comércio, mas vamos cumprir a determinação até o prazo estipulado. Negociar com meus fornecedores era uma preocupação, mas eles foram espetaculares. Cancelaram os meus pedidos e prorrogaram prazos dos boletos”, disse.

Luciana ingressou nas vendas on-line, como permitido pelo decreto, mas optou por preservar as funcionárias e deu férias coletivas de 15 dias.

“Recebi alguns pedidos, mas quem vai à loja buscar somos eu e o meu marido”, diz Luciana.

O comerciante Hugo Fonseca vende produtos de tabacaria em duas lojas na cidade. Para evitar a demissão dos funcionários, deu férias “até que a situação seja normalizada”. Com o novo decreto, passou a utilizar as redes sociais para divulgar os produtos. “Eu recebo os pedidos e, quando estiver em volume maior, vou à loja buscar e fazer as entregas”.
 
APREENSÃO
Nesta segunda-feira, a Guarda Municipal, Vigilância Sanitária e Polícia Militar fizeram apreensão de produtos em uma casa na Vila Atlântida e em um sítio próximo a um clube campestre de Montes Claros. Eles chegaram até o local depois de receberem denúncia.

“Recebemos a informação de que estaria havendo a fabricação e venda de álcool em gel. O morador franqueou a nossa entrada e verificamos que, além do álcool, havia outros produtos como shampoo e cosméticos. Constatamos que eles não têm o alvará de funcionamento e o dono admitiu que vendia os produtos para comércios pequenos e pessoas que o procuravam”, conta o sargento Monção, da Guarda Municipal

Segundo ele, o álcool estava em um vidro de shampoo, com uma pequena tarja indicando “álcool gel 70º”. “Aparentemente, os produtos não têm nota fiscal e foram encaminhados à Receita Estadual para apurar a legitimidade”, informou o sargento.