Comerciantes de Montes Claros terão mais dez dias para ficar com as portas abertas. Decreto editado pelo município amplia até 1º de maio a flexibilização que havia sido marcada para até 21 de abril. Lojas, bares e restaurantes podem abrir, desde que respeitadas normas sanitárias. A cidade deixou a “Onda Roxa” desde 11 de abril após apresentar desaceleração nos casos de Covid-19.

“Tem dois lados essa medida. O bom é que a gente vai continuar trabalhando até 1º de maio sem sobressalto, e ameniza um pouco a situação. Porém, tem muita coisa fechada ainda, como as quadras sintéticas, os shows nos bares não estão podendo acontecer, tem muitas categorias ainda sem trabalhar, e isso faz com que o dinheiro deixe de circular. Afeta a economia e estamos tristes pelos que estão parados”, diz Isaque Leal, proprietário de loja no Shopping Popular.

O comerciante acrescenta que o movimento está fraco e diz que mantém as portas abertas ao menos para pagar os funcionários. “As pessoas estão comprando só o essencial mesmo. Mas, se fechar, quebra metade do comércio da cidade e provoca mais desemprego”, avalia.

Já Aurélio Rocha, empresário do ramo de confecção, não vê com bons olhos as medidas de restrição porque, segundo afirmou, elas não atacam a raiz do problema. 

“A prorrogação deste decreto, por mais que não seja tão restritivo, só dificulta a situação do empresariado. Não atua nos pontos-chaves do erro: o transporte público e agências bancárias. Só atrapalha a retomada da economia e, para muitos, a manutenção deste tipo de decreto pode significar uma pá de cal em empregos”, opina.

SEM RETROCESSO
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Montes Claros, Ernandes Ferreira, o ponto positivo é que não houve retrocesso. “São mais dez dias para frente e não houve regressão das medidas. Continuamos orientando os comerciantes quanto a manter as medidas de segurança. Temos que redobrar os cuidados. A economia não aguenta fechar mais. Temos que seguir em frente e punindo quem não está trabalhando de acordo e não deixar que os justos sejam prejudicados”, destaca Ernandes.
 
RECOMEÇA MINAS
Ele participou nesta terça-feira de reunião virtual da Assembleia Legislativa dentro do projeto “Recomeça Minas”, que propõe medidas de auxílio aos setores econômicos. As entidades participantes apresentaram soluções práticas.

“Não basta a prorrogação de impostos, precisamos também de isenções e o governo tem que ser sensível a isso. Vários comerciantes não têm dado conta de pagar energia e água. Como tem um auxílio para a população mais carente, é preciso também que tenha socorro ao pequeno comerciante, que precisa talvez até de seis meses de isenção. A pandemia está aí há um ano, não sabemos quando vai passar e o que temos que fazer é nos adaptar. Não é momento de sobretaxar a população, de cobrar IPVA, taxas de licenciamento. É momento de ter compaixão e a classe política estar ao lado da população”, afirma. 

Ernandes alertou que uma reforma administrativa é essencial para o momento. “É hora de o Estado se apequenar um pouco. Ele custa muito caro à classe produtiva. Todos nós estamos pagando muito caro nessa pandemia. Todos estamos diminuindo custos. Está na hora do Estado começar a diminuir benefícios que estão acima para o momento atual e reconstruir o Estado para o bem da economia”.