Montes-clarenses estão tendo que fazer uma ginástica no orçamento familiar para colocar comida na mesa. A inflação de maio superou a de abril na cidade e alimentos básicos, que fazem parte do cardápio do dia a dia, foram grandes vilões na composição do índice, que chegou a 0,62%, contra 0,48% no mês anterior. 

Dentre as variações consideradas significativas na composição da taxa estão as do preço do fubá (9,26%), açúcar (4,58%), ovos (2,52%), carne bovina (2,50%), batata (2,13%), aves (1,33%) e tomate (1,29%).

E para pesar ainda mais, o aumento do gás de cozinha foi de 2,15%, segundo o relatório do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado pelo Departamento de Economia da Unimontes.

A situação tem provocado mudanças de hábitos nas donas de casa, que estão criando alternativas para manter os produtos essenciais na lista de compras.

“Todas as coisas subiram muito e as pessoas não estão ganhando mais. Tenho preferido a carne branca, mas mesmo o frango, que era uma boa alternativa, está muito caro. Além disso, prefiro alimentos que levam menos tempo de cozimento porque o gás subiu muito”, diz a aposentada Lecy Gomes.

Ela conta que faz feira em locais maiores porque que tem mais opções de produtos e é possível trocar um mais caro por outro de menor custo.

A cuidadora Ester Nunes não abre mão de comprar no bairro, porque acredita que com uma logística melhor, economiza na condução. “Nosso bairro tem dois bons supermercados e mercadinhos, então preferimos concentrar as compras aqui porque traz comodidade. Em relação aos preços, os dois são mais ou menos equiparados e cada um traz suas particularidades. Então, dependendo do produto, já sabemos qual dos dois procurar”, diz. Ela conta que em determinados produtos, como o arroz, ela não abre mão de uma marca específica, mas em outros, é possível negociar a troca com o restante da família.
 
COMBUSTÍVEIS
A professora Vânia Vilas Boas, coordenadora do IPC/Unimontes, ressalta que o mês de maio ainda teve o impacto do aumento do preço dos combustíveis e do seguro de veículos. O álcool registrou alta de 8,12%, o óleo diesel ficou 2,51% mais caro e a gasolina, 1,63%. No ano, o acumulado da inflação em Montes Claros bateu 2,97% em cinco meses.

Os preços dos combustíveis têm corroído a renda de Andrea Teixeira, que trabalha como motorista de aplicativo. A situação chegou a ficar, segundo ela, insustentável, o que a levou a parar de rodar. “Acho desumano ganhar R$ 5 numa corrida de 4km. Sobra R$ 2,50, sem contar manutenção e seguro do veículo. Não dá. Preferi parar”, lamenta.

O pintor Guilherme Sizílio trabalha no Distrito Industrial. Com o aumento do combustível, decidiu deixar o veículo em casa e vai ao trabalho usando o serviço de aplicativo, mas quando sai com a família toda, é um problema. “Nem sempre o motorista quer levar toda a família de uma vez só e acaba gerando um transtorno. Na alimentação, cortamos muito, e não só os supérfluos. Diminuímos em coisas como carne e leite”, diz.
 
PESQUISA 
Vânia Vilas Boas acredita que os preços em alta dos alimentos ainda deve permanecer no próximo mês, fazendo com que a inflação não ceda. “Cabe neste momento ao consumidor a velha prática de buscar preços promocionais. Montes Claros conta com amplo comércio varejist. Eles têm promovido a famosa guerra de preços e é nessa que o consumidor tem a oportunidade de comprar produtos mais acessíveis. Voltar a fazer pesquisa de mercado é de extrema relevância, fazer substituições de produtos que estejam mais caros por aqueles que estejam com preços mais acessíveis se torna tarefa ímpar neste momento”, explica a professora.