Crianças poderão ser vacinadas contra Covid

Grupo poderá se proteger com duas doses, com intervalo de oito semanas, e sem a necessidade de prescrição médica

Janaína Fonseca*
O NORTE
06/01/2022 às 00:03.
Atualizado em 10/01/2022 às 02:02
 (erasmo salomão/ministério da saúde)

(erasmo salomão/ministério da saúde)

Crianças de 5 a 11 anos foram incluídas no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na tarde desta quarta-feira. As primeiras doses da Pfizer específicas para esse público devem chegar ao país no dia 13 de janeiro. A distribuição para os estados ocorrerá no dia seguinte. Caberá a cada município definir como fará a aplicação do imunizante.

O uso da dose da Pfizer para esse público já havia sido autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 16 de dezembro. No entanto, o Ministério da Saúde decidiu realizar uma consulta e uma audiência públicas para ouvir a posição da sociedade civil e de especialistas.

A maioria dos participantes da consulta pública se manifestou contrária à necessidade de apresentação de prescrição médica para a vacinação, e não concordou com a obrigatoriedade da vacina.

Dessa forma, o Ministério da Saúde estabeleceu que a proteção de crianças de 5 a 11 anos será facultativa, precisará da autorização dos pais ou responsáveis, mas sem a exigência de uma prescrição médica.

No entanto, a secretária de Enfrentamento à Covid do Ministério da Saúde, Rosana Leite de Melo, orienta os pais para que consultem um médico antes de levar os filhos para serem vacinados.
 
INTERVALO
O intervalo entre as duas doses será de oito semanas, diferentemente do que preconiza a bula da Pfizer, que orienta para 21 dias entre as aplicações. A mudança, segundo Rosana Leite de Melo, segue estudos que mostram um benefício maior quanto mais dilatado o intervalo, reduzindo os riscos de efeitos adversos da vacina.

O país possui, segundo o Ministério da Saúde, 20 milhões de crianças de 5 a 11 anos. Terão prioridade na vacinação aquelas que apresentam comorbidades, deficiência permanente, indígenas e quilombolas. Em seguida, as que vivem com pessoas que compõem o grupo de risco.

Só então serão imunizadas as que não têm comorbidades. A orientação do ministério é para que o processo se inicie pelas mais velhas.
 
COMPRA DAS DOSES
O Ministério da Saúde anunciou ainda que cerca de 20 milhões de doses foram negociadas com a Pfizer e devem chegar ao Brasil até março.

A pasta condicionou a compra de novas doses à adesão dos pais e responsáveis à vacinação das crianças.

O ministério espera que o primeiro voo com as vacinas chegue ao Brasil em 13 de janeiro e que sejam disponibilizadas para os municípios já no dia seguinte. Também estão programados voos para 20 e 27 de janeiro, cada um contendo 1,248 milhão de doses.
 
CASOS
Durante o anúncio da imunização das crianças, o ministro apresentou dados de Covid nesse grupo de 5 a 11 anos. A doença provocada pelo novo coronavírus foi a segunda causa de morte entre meninos e meninas em 2021.

A cada dois dias, disse o ministro Marcelo Queiroga, uma criança perdia a vida pela Covid-19. São Paulo liderou o número de casos, que totalizou mais de 324 mil em todo o país.

Risco maior após internação
Durante audiência pública que debateu a vacinação das crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19, o representante da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) Marco Aurélio Sáfadi defendeu a imunização desse grupo. Segundo o médico, os dados mostram que, apesar do número de óbitos de crianças em decorrência da doença ser menor do que em relação à população adulta, as crianças têm mais chances de morrer quando estão internadas. Sáfadi disse que, até o momento, há o registro de 34 mil hospitalizações nesse grupo e que a taxa de mortalidade para quem foi hospitalizado ficou em torno de 14%.

“A cada 15 crianças hospitalizadas com Covid-19, uma delas acabava sendo vitimada. Boa parte das que sobreviveram ficaram com sequelas cognitivas, respiratórias, cardiovasculares, além do impacto que essa doença traz”, disse.

Segundo o médico, os estudos evidenciam que a vacinação para essa faixa traz mais benefícios que riscos, prevenindo as hospitalizações em até 93%. “Todas as vacinas até hoje utilizadas realizaram um papel fundamental naquilo que é um objetivo precípuo da vacinação, que é prevenir hospitalizações e complicações da doença. Foi a isso que se propuseram as iniciativas de implantação dos programas de vacinas. Claro que elas reduzem também transmissão e risco de infecção, mas em patamares diferentes”, argumentou.

*Com Agência Brasil

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