Montes Claros inicia o toque de recolher registrando recorde de mortes em 24 horas. De quarta para quinta-feira, 12 pessoas morreram no município em decorrência da Covid-19.

“Montes Claros nunca teve esse número nos seus dados estatísticos”, afirma a secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, durante entrevista coletiva. Até então, o maior número de óbitos registrado nesse intervalo de tempo era de seis mortes.

O triste e preocupante número vem acompanhado ainda de um aumento considerável na ocupação de leitos da Covid nos hospitais da cidade, o que deixa o município em situação de alerta. 

“A situação da pandemia em Montes Claros mudou totalmente. Em dois dias tivemos um aumento da taxa de ocupação de leitos de UTI Covid de uma média de 50% para 80%. Com isso, tivemos um impacto na letalidade da doença no município”, destacou a secretária.

ONDA VERMELHA
O agravamento do quadro da pandemia na maior cidade do Norte de Minas retrata também o que vem acontecendo em toda a região. Tanto que, na última quarta-feira, o Comitê Estadual de Covid-19 regrediu o Norte de Minas para a onda vermelha – a mais restritiva – do programa Minas Consciente.

Das 12 mortes registradas em 24 horas, três são de pacientes de outros municípios que estavam internados em Montes Claros e nove são de moradores da cidade, incluindo uma criança de 1 ano – é o segundo óbito nessa faixa etária no município.

LIMITE
Para Dulce Pimenta, a situação é grave. “Estamos com uma alta taxa de internação por Covid, os hospitais já no limite de sua capacidade, os profissionais no limite e com aumento da perda de vidas pela doença. Então, as medidas adotadas (toque de recolher) foram necessárias para que a gente consiga reverter esse quadro, para que possamos diminuir a taxa de transmissão no município e para que a rede assistencial da cidade possa atuar nesse enfrentamento de maneira eficaz”, destacou a secretária.

NOVAS RESTRIÇÕES
O toque de recolher determinado pela Prefeitura de Montes Claros começou a valer na noite de ontem, com proibição da circulação de pessoas e veículos das 22h30 às 5h. O decreto também proibiu o funcionamento de bares, restaurantes e supermercados após as 21h30. Os ônibus param de circular às 22h15.

Para o promotor Daniel Lessa Costa, coordenador da Saúde da Região Norte, as medidas foram necessárias e há necessidade de mais cautela por parte da população porque Montes Claros é referência em suporte na saúde para outros municípios. 

“O que pedimos é respeito e responsabilidade nesse momento tão difícil que Montes Claros, o Norte de Minas e o Brasil têm passado”, enfatiza. Segundo ele, já estão sendo realizadas operações na cidade e na zona rural para conscientizar os comerciantes sobre a importância de não descumprirem o decreto.

Quem não seguir as regras e não apresentar justificativa, poderá ser enquadrado em crime contra a saúde pública, destaca o promotor. 

A Polícia Militar informou, também na coletiva, que desde ontem seria ampliado o efetivo nas ruas para garantir, principalmente, o cumprimento da restrição de horário. “Teremos um aporte maior à noite, com fiscalização de veículos, de atitudes suspeitas, em que toda possibilidade de infração e crime será considerada”, explica o tenente-coronel Adriano Ribeiro de Freitas, chefe do Estado Maior da 11ª RPM.

“O que pedimos e solicitamos, encarecidamente, é uma sensibilização de todos os montes-clarenses com relação à situação crítica com relação a leitos de hospitais. Não podemos negligenciar o momento”, diz o tenente-coronel.

*Com Leo Queiroz