Montes Claros é a segunda cidade do Estado com mais casos suspeitos de reinfecção pelo novo coronavírus. O município norte-mineiro fica atrás apenas de Belo Horizonte. São 28 notificações de possível nova contaminação com o vírus, sendo sete com resultados de exames inconclusivos, 21 em investigação e nenhum confirmado, segundo a Superintendência Regional de Saúde.

Na capital mineira, são 57 pacientes com a suspeita de terem sido infectados pela segunda vez pelo coronavírus. Ao todo, já foram notificados 111 casos de reinfecção na capital. Desses, um foi descartado e 53 classificados como inconclusivos. No Estado, são 150 pacientes sendo investigados. Até o momento, há um caso confirmado, registrado em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A mãe de Camila Caterine dos Santos compõe a estatística. Em meados de 2020, o irmão dela fez o exame porque um colega do trabalho testou positivo para a doença. Como vivem todos na mesma coisa, a família resolveu se submeter ao teste. O resultado mostrou que, em algum momento, a mãe de Camila teve a Covid, o que surpreendeu a todos, pois ela não apresentou sintomas. Já o irmão testou negativo.

Camila, o marido e o bebê do casal, que moram em outra casa, tiveram sintomas leves, como cansaço, dor de cabeça e gripe. O marido chegou a perder o paladar, mas por estarem confinados a maior parte do tempo, não fizeram o exame.

“Minha mãe, considerando que teve a doença, deu uma relaxada. Ia às vezes à casa da vizinha e acompanhava a reforma da minha casa. Nesses momentos, raras vezes ela tirava a máscara. Em outubro, ela se sentiu mal, teve rinite alérgica e chegou a tomar medicamento. Mas teve um dia em que ela acordou muito mal e foi ao hospital. Lá, descobriram que o pulmão dela estava comprometido e ela foi para o CTI”, conta Camila.

Segundo ela, a mãe ficou internada por dois meses e constataram que era Covid. “No mesmo período, voltei a sentir cansaço, meu marido teve dor de cabeça cinco dias seguidos e minha bebê teve diarreia por três dias. Nós três fizemos o exame e deu positivo, mas não precisamos de internação. Em dezembro minha mãe saiu do hospital”, lembra Camila, que disse ter ouvido opiniões diferentes dos médicos.

“Alguns disseram que ela teve Covid realmente nesta segunda ocasião, que possivelmente não seria reinfecção, pois o teste anterior poderia ser um falso positivo. Não existe comprovação”, relata Camila. Enquanto o resultado sobre a reinfecção não vem, a família convive com a dúvida, mas não se descuida e cumpre as medidas de prevenção. 

CUIDADOS
No início da pandemia, os profissionais de saúde apontavam como uma possibilidade remota uma pessoa que teve a doença novamente ser contaminada. Porém, ao longo desse um ano de estudos sobre a enfermidade, novas situações surgiram e os próprios profissionais alertam para a manutenção dos protocolos sanitários mesmo para aqueles que já foram infectados.

“Uma pessoa que reinicia com sintomas sugestivos de Covid após 60 dias da primeira infecção confirmada por PCR, e tem novo exame de PCR positivo, entra nos critérios de suspeita de reinfec-ção”, diz a infectologista Cláudia Biscotto.

“Na medida em que sabemos da existência de cepas mutantes do vírus no nosso meio, essas cepas podem resistir aos anticorpos adquiridos pela infecção anterior, aí a pessoa pode se reinfectar”, explica.

Sobre a duração da imunidade, os médicos ainda não têm dados assertivos. “Não sabemos se isso realmente ocorre e em quanto tempo seria. Por isso, mesmo naquelas pessoas que já tiveram Covid confirmada ou foram vacinados com as duas doses, é imprescindível que sejam seguidas todas as recomendações sanitárias enquanto o vírus estiver circulando livremente”, alerta Cláudia.

No setor de Epidemiologia do município as ligações não foram atendidas até o fechamento da edição.