Minas decidiu que vai vacinar os adolescentes de 12 a 17 anos, com e sem comorbidades, contrariando a orientação dada pelo Ministério da Saúde na última quinta-feira. O Estado voltou atrás um dia após anunciar que seguiria a pasta federal. A nova postura do governo mineiro está baseada na recomendação da Anvisa, que diverge do ministério. 

“Minas veio aguardando a nota da Anvisa, que reafirmou que a vacina é segura para adolescentes. Diante disso, o Estado está liberando a vacinação de todos os adolescentes. Não existe nenhuma restrição técnica à vacinação”, afirmou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.

De acordo com o gestor, ainda existe a necessidade da entrega das doses de imunizantes pelo governo federal. “Os municípios que têm doses suficientes de Pfizer para fazer o reforço dos idosos, dos imunocomprometidos, dos adolescentes com comorbidades, se ainda tiverem vacinas, poderão, sim, vacinar os adolescentes sem comorbidades, porque a Anvisa, que é o órgão técnico do governo federal, já confirmou que essa vacina pode ser utilizada”, completou.

Belo Horizonte também voltou atrás na decisão e confirmou a continuidade da vacinação, caso haja disponibilidade de doses. Mas o foco da prefeitura da capital será a aplicação do reforço dos idosos.
 
TERCEIRA DOSE
Essa também é a posição de Montes Claros. Segundo a secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, epidemiologicamente o maior impacto é a terceira dose para os idosos. “Precisamos aumentar a imunidade de quem é mais suscetível a complicações pela Covid”, afirma a gestora da pasta.

Dulce enfatiza que o município irá seguir a recomendação do Estado, mas que o prefeito irá usar a autonomia que o gestor municipal tem para primeiro aplicar a terceira dose e vacinar os adolescentes com deficiência permanente e, depois, aqueles com comorbidades.

Após esse público estar imunizado, se houver vacina, os demais adolescentes receberão a proteção.

Pediatras defendem vacina
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nota nesta sexta-feira (17) na qual se manifesta favorável à vacinação contra a Covid-19 de todos os adolescentes, com ou sem comorbidades. A posição foi mais uma reação contrária à recomendação do Ministério da Saúde de suspender a imunização de adolescentes sem comorbidades. Segundo a SBP, até o momento, a pasta registrou 2.416 mortes por Covid-19 entre adolescentes, número maior que o conjunto de outras doenças imunossuprimíveis. O texto cita um estudo nacional que aponta risco de morte pelo menos duas vezes maior para pessoas a partir dos 12 anos em relação a crianças com idade entre 2 e 11 anos. No documento, a entidade destaca que, apesar de uma ocorrência menor da doença entre adolescentes, o grupo não está isento de formas mais graves e de sequelas, com impactos cognitivos e no aprendizado. A entidade defende que o controle da cadeia de transmissão da doença passe por uma “ampla cobertura vacinal” da população.

A SBP destaca ainda que o uso da vacina da Pfizer em adolescentes foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que a dose foi testada em ensaios clínicos que demonstraram segurança e eficácia.

*Com Agência Brasil