Uma menina de 1 ano morreu vítima da Covid-19 em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Ela apresentava comorbidades e ficou quatro dias internada no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

Com mais este caso, Minas soma 33 crianças e adolescentes, com até 19 anos, vítimas de complicações da doença provocada pelo novo coronavírus.

De acordo com a Prefeitura de Uberaba, a morte da menina foi registrada na última terça-feira (5). É o segundo óbito de uma criança na cidade. Em outubro de 2020, um menino de 6 anos também perdeu a vida após contrair o novo coronavírus.

Uberaba contabiliza 246 pessoas que perderam a vida por conta da Covid desde o início da pandemia, em março. Ao todo, a cidade do Triângulo tem 10.289 casos da doença. 

De acordo com o último boletim epidemio-lógico, divulgado nesta quinta-feira (7), nove crianças com menos de um ano morreram desde o início da pandemia, em março.

Entre 1 e 9 anos, foram dez óbitos. Outras 14 vítimas, com idades entre 10 e 19 anos, também perderam a vida por conta da doença.

Montes Claros também já teve perdas nessa faixa etária pela Covid. Foi uma vítima entre zero a 9 anos e uma entre 10 e 19 anos. Entre os casos confirmados, são 138 entre menores de 1 ano; 412 entre crianças de 1 a 9 anos; e 717 de 10 a 19 anos.
 
REFORÇO À PREVENÇÃO
Crianças e adolescentes, apesar de apresentarem melhores respostas à infecção pelo novo coronavírus, também podem perder a guerra para a Covid-19. 

O alerta é para que mesmo os mais novos sigam as medidas que visam conter a pandemia. As faixas etárias não são consideradas grupo de risco, mas especialistas afirmam que os casos mostram que nenhuma pessoa está isenta de contrair a Covid e desenvolver a forma mais grave dela, vindo a óbito.

Estudo realizado pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), e publicado no Jornal de Pediatria aponta que, além das crianças poderem necessitar de intubação, aquelas que apresentam outras doenças têm cerca de cinco vezes mais chances de complicações. Nesse público, as comorbidades estão concentradas em enfermidades neurológicas e respiratórias crônicas.

Mas até quem é saudável pode ter problemas mais graves causados pelo novo coronavírus. “Lá atrás, no início da pandemia, criou-se uma falsa sensação de só quem adoece e é vulnerável faz parte do grupo de risco. Esse aumento da pandemia agora está mostrando que não é isso. Não há ninguém imune. Todos estão vulneráveis”, frisou o infectologista Leandro Cury.

Segundo o médico, que é membro do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Ibirité, na Grande BH, a gravidade em crianças e adolescentes pode estar relacionada à uma predisposição genética.

“Vale lembrar que o vírus pega cada pessoa de um jeito, ele se comporta de forma diferente em cada organismo”, complementou.

SAIBA MAIS
A necessidade de as crianças utilizarem ou não a máscara já gerou várias discussões. Texto publicado no portal da Fiocruz aponta que a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), da Academia Americana de Pediatria (AAP) e do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) é que crianças menores de 2 anos não usem máscaras, pois existe o risco de sufocação. Veja algumas dicas da pediatra e infectologista do Ambulatório de Crianças e Adolescentes do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Alessandra Marins Pala:

- A máscara não deve ser usada por crianças que usam chupetas

- Deve ser utilizada nas idas às consultas pediátricas e em locais onde há circulação de pessoas, sob a supervisão de um adulto

- O ideal é que as crianças e os adolescentes fiquem em casa

- Como as crianças costumam passar as mãos em vários objetos e as levam aos olhos, boca e nariz, é importante ensiná-las a não tocar essas regiões sem a devida higienização das mãos

- A partir dos 6 anos a criança poderá auxiliar na colocação e retirada da máscara

- A máscara deve ser apresentada à criança de forma lúdica. A colocação e a retirada do acessório devem ser feitas em forma de brincadeira, criando jogos e desafios que as motivem. Podem ser utilizados brinquedos da própria criança para ensinar o uso correto do acessório

- Elas devem participar da escolha das máscaras, que podem ser decoradas com os seus personagens favoritos ou com motivos infantis que as agradem

- Os adultos devem dar o exemplo

- Os sinais de sufocação são: dificuldade para respirar e cianose (lábios e extremidades dos dedos arroxeados). Caso isto ocorra, basta retirar a máscara que a criança voltará a respirar normalmente.