Moradores do distrito de Santa Rosa de Lima, em Montes Claros, não aguentam mais viver sem abastecimento de água, em pleno verão, com altas temperaturas. A esperança para o problema estava em uma obra iniciada pela Copasa no distrito, mas que está parada há meses. 

Sem nenhum indicativo de que os trabalhos serão retomados, a comunidade pede atenção do poder público.

Sem água potável, os moradores têm que arcar com a compra de água mineral, pois análises feitas pela própria Copasa constataram que a água do poço artesiano não serve para consumo humano.

No último domingo, a comunidade ainda foi surpreendida com a cena de um animal de grande porte que teria morrido ao cair na vala aberta pela empresa.

“Um morador foi acordado às 5h porque alguém passou e achou que o animal era dele. Não era, mas, mesmo assim, tentaram resgatar, até localizar o dono. Só que o cavalo já estava morto. O local está perigoso. Às vezes, passa uma pessoa bêbada pelo local e, com o mato alto, não tem visibilidade. Pode acontecer algum acidente. Tem um pé de manga próximo e muitas crianças brincam no local”, alerta a presidente da associação de moradores, Vera Lúcia Pereira.

A obra foi iniciada em um local à beira da estrada, sem qualquer tipo de sinalização. Depois que a presidente da associação procurou a Copasa e comunicou o ocorrido, a empresa enviou uma equipe, que cercou o local com faixas e disse que está dependendo de uma licitação para dar continuidade ao serviço.

Um morador, que pediu para não ser identificado, pontuou que “o dessalinizador está estragado há mais de três meses e o caminhão-pipa não chega porque a estrada está ruim. Em janeiro, a Copasa enviou o caminhão, mas o último que veio ficou atolado, então não mandaram mais”, conta.
 
DESCASO
Ana Paula Ferreira, secretária da associação de moradores, reclama do descaso da Copasa com a comunidade. Segundo ela, não é a primeira vez que a empresa começa uma intervenção e não termina. 

“Se o plano deles era entrar na comunidade, que entrassem e fizessem a obra completa. Não deixar pelo meio do caminho. Se não ia terminar, não deveria nem ter começado. Eles têm que assumir a responsabilidade”, diz Ana Paula, que lembra que a empresa chegou a abrir uma valeta que impedia o trânsito de pessoas na comunidade.

“No início foi a luta com os ônibus. Pessoas doentes, fazendo tratamento, não tinham condições de pegar ônibus na praça. Não tinha espaço para o veículo passar e elas iam para a beira da estrada para embarcar. A nossa comunidade é hospitaleira e, por isso, acham que temos que aceitar todo tipo de coisa. Fazem a bagunça deles e deixam pela metade, causando problema”, lamenta a moradora.
 
RESPOSTA
Em nota, a Copasa informou “que as obras de implantação do sistema de abastecimento de água no distrito de Santa Rosa de Lima, em Montes Claros, foram iniciadas em maio de 2020. Devido ao cancelamento de contrato com a empresa contratada para a execução dos serviços, os trabalhos foram paralisados em dezembro do mesmo ano”.

A empresa disse ainda que “as obras serão retomadas em maio de 2021, após a conclusão do processo licitatório e a contratação de outra empresa para execução do restante das obras”.

O secretário Municipal de Agricultura, Osmani Barbosa, não foi encontrado para falar sobre a situação das estradas na comunidade.