Há mais de um ano moradores do Distrito de Aparecida do Mundo Novo, na zona rural de Montes Claros, vivem o drama da falta de acesso à localidade em razão de uma ponte que caiu e não foi reconstruída.

Distante cerca de 80 quilômetros de Montes Claros, a comunidade tem mais de mil habitantes e é ponto de referência para outros povoados no entorno. Além disso, os moradores dependem deste acesso para escoar a produção, transportar trabalhadores e até para garantir a alimentação da família.

Por diversas vezes, O NORTE buscou a Secretaria Municipal de Agricultura para saber se havia previsão de conserto da estrutura. O secretário Osmani Barbosa informou que uma equipe da prefeitura já teria ido ao local para iniciar a obra. Mas, de acordo com moradores, não foi o que aconteceu.

Cansados do isolamento imposto pela falta de acesso, a comunidade se uniu e está reconstruindo a ponte.

“Eles estiveram aqui, abriram um buraco para ser uma estrada paralela e deixaram as tábuas encostadas. Depois, sumiram e nada de ponte. Nós vamos passar o resto da vida sendo deixados de lado? Nós aqui somos um pelos outros, então metemos a cara e vamos fazer o que a prefeitura não faz”, afirma o morador J.R..
 
RISCOS
A microempresária Silvane Veloso mora em Montes Claros e lamenta pelos pais que vivem em Aparecida e estão isolados, mas não por causa da pandemia. A mãe faz tratamento de saúde em Montes Claros e, muitas vezes, deixou de comparecer porque a falta de acesso impõe riscos. 

Do mesmo modo, a filha não pode ir até ela. “Nasci na zona rural e nunca vivi uma situação como essa. Vivemos isso este ano todo e as pessoas que moram nas redondezas de Aparecida ficaram até sem comida, porque o carro não podia ir para abastecê-las. Não havia passagem. O PSF ficou sem médico, que entrou de férias e não colocaram outro no lugar. Ou seja, nem na localidade as pessoas podiam se consultar. Tem uma ambulância na comunidade, mas se precisar transportar alguém para Montes Claros, não conseguem”, denuncia.

Nas raras ocasiões em que a mãe conseguiu chegar a Montes Claros, o percurso foi trabalhoso e cansativo.

“O outro acesso também já está comprometido e, nas poucas vezes em que minha mãe conseguiu sair de Aparecida, levou duas horas a mais do que o habitual para chegar aqui”, disse Silvane.
 
UNIÃO
Sobre a ação realizada no local, ela revela que o trator foi cedido por um dos moradores e, como a comunidade é unida, o empenho e mão de obra é de todos. “A responsabilidade é do poder público e não deve ser transferida a moradores”, ressalta Silvane.

O secretário Municipal de Agricultura, Osmani Barbosa, foi procurado pela reportagem, mas não atendeu às ligações.