Mais fácil para quem paga e para quem recebe. Após um ano de implantação, o PIX – sistema de transferência bancária por meio de chaves previamente cadastradas – registra crescimento de 176% no país. O número de pessoas e empresas inscritas na plataforma saltou de 38 milhões, em novembro do ano passado, para 105 milhões em outubro deste ano, segundo dados do Banco Central (Bacen).

Além de baratear as operações financeiras, o sistema se tornou responsável pela “banca-rização” de 40 milhões de brasileiros. E a modalidade caiu no gosto do pequeno empreendedor, pois o liberta do cartão de débito ou crédito e das tarifas que as operadoras cobram em cada operação.

Dados do Sebrae revelam que o pagamento por PIX é aceito por nove em cada dez pequenos negócios de Minas. Entre os que mais usam o sistema estão os jovens e os empreendedores entre 30 e 40 anos (97%), seguidos pelos empreendedores acima de 41 anos (93%) e os acima de 51 (90%).

Essa distribuição é perfeitamente compreensível, na avaliação do gerente de Inteligência Empresarial do Sebrae, Felipe Brandão. Segundo ele, os jovens têm a tendência de sair na frente no que diz respeito a novidades tecnológicas.

Dono de uma loja de informática, o comerciante Daniel Cardoso Pimenta, de 31 anos, usa o PIX desde que ele surgiu. “O que percebi é que (a forma de pagamento) migrou do dinheiro para o PIX. Não aumentou a quantidade de vendas, mas quando pagavam no débito a taxa era maior que agora, no PIX”. 

Daniel acredita que o PIX veio para ficar, porque é o maior concorrente do cartão de débito, já que possui taxas menores ou nenhuma. “Mas o cartão de crédito ainda está em alta, pois a pessoa pode parcelar e com o PIX, não”. 

O microempreendedor Washington Jhonatta Rodrigues, de 25 anos, também está satisfeito com o novo sistema de pagamento. 

“A vantagem é ver que o cliente pode levar a mercadoria rapidamente, sem muita burocracia. Além do fato de que não se paga taxa, quando executada a transação”.

Como Daniel, Washington também não percebeu acréscimo nas vendas devido ao surgimento do PIX. “Acredito que seja devido à questão econômica do país. No futuro, o PIX irá ajudar a incrementar as vendas”, aposta. 
 
SEGMENTOS
A pesquisa do Sebrae mostra ainda que o comércio lidera o uso do sistema, seguido pela indústria, construção civil e serviços. E comerciante que fica livre da taxa do cartão, seja de débito ou crédito, e recebe o dinheiro na hora, pode até oferecer desconto, fidelizando o cliente.

É a estratégia adotada pela loja Mundo das Túnicas, em Belo Horizonte, que começou a dar desconto de 5% para quem paga com o PIX. De acordo com a gerente Paloma Lima Soares, de 27 anos, os pagamentos com dinheiro vivo caíram significativamente e o PIX se tornou a melhor opção.

“A falta de dinheiro em espécie é nítida. Nós praticamente não recebemos mais assim. E por conta do desconto, o cliente prefere pagar pelo PIX do que no cartão”, conta.

Cuidados básicos para não cair em golpes
Como qualquer transação financeira, o PIX também é passível de golpes. Para evitar cai em algum deles, é importante baixar um antivírus no aparelho eletrônico; desconfiar de desconhecidos que enviam mensagens ou tentam contatar você; escolher senhas seguras e difíceis para o seu celular, e-mail e wi-fi.

Até o fim de outubro, segundo os dados mais recentes do Banco Central, o PIX tinha 348,1 milhões de chaves cadastradas por 112,65 milhões de usuários. Desse total, 105,24 milhões são pessoas físicas e 7,41 milhões, pessoas jurídicas. Cada pessoa física pode cadastrar até cinco chaves e cada pessoa jurídica, até 20.

Em um ano de funcionamento, o volume de transações deu um salto. Em outubro, o sistema de pagamentos instantâneos movimentou R$ 502 bilhões, contra R$ 25,1 bilhões liquidados em novembro do ano passado.

Segundo o Banco Central, 75% das transações do PIX em outubro ocorreram entre pessoas físicas, contra 87% no primeiro mês de funcionamento. Os pagamentos de pessoa física para empresa saltaram de 5% para 16% no mesmo período. 

*Com Clara Mariz, do Hoje em Dia, e Agência Brasil