Moradores da rua Grenfeld, no bairro Vila Real, alimentavam a esperança de, finalmente, terem melhor qualidade de vida com o asfaltamento feito há três meses na via. Situação muito distante de quem vive na rua México, no mesmo bairro, e convive há anos com uma pista de terra, completamente esburacada e cheia de valas. Cenários que parecem muito diferentes, mas que após o temporal que atingiu a cidade no último domingo, tornaram-se semelhantes: destruição e desalento.

O pacote de asfaltamento de ruas de Montes Claros foi anunciado pela prefeitura no início do ano como o maior da história da cidade. No entanto, o investimento passou de sonho para pesadelo de muitos moradores.

No Vila Real, os moradores apontam vários problemas na realização da obra, o que resultou na perda do investimento com as águas de domingo. Em apenas 40 minutos de chuvas, quem vive na rua Grenfeld assistiu a nova cobertura da via ser arrasada. 

O serviço foi executado sem canaletas. Com isso, lama e entulho invadiram as calçadas, como a da casa de Milton Araújo Santos, que reside no bairro há 26 anos. “Aqui estava aberto e descia a metade da lama da rua”, conta. “O secretário de Obras disse que iriam fazer umas canaletas hoje (19), mas se não chegarem até a tarde, eu pego a picareta e arranco esse serviço mal feito aqui e jogo tudo no mato”, afirmou, revoltado. 

“O trem está feio e, se não consertarem, vai ficar mais complicado ainda, porque não souberam fazer o asfalto, que precisa de drenagem, boca de lobo. Sem contar que o cascalho não é suficiente para a pavimentação”, explica Antônio Andrade Miranda, que já trabalhou fazendo asfalto. “Esse aqui não teve a devida compactação, não é quente e, sim, cru. Não vai funcionar”, afirma Antônio.
 
SUSTO
Ele estava em casa na hora da chuva e conta que a água desceu forte e jogou entulho em lotes e residências. Uma das áreas mais castigadas da rua Grenfeld foi em frente às casas de Maria Anunciada, de 68 anos, e Noeme Pereira dos Santos Dias. Elas ficaram assustadas com a destruição provocada pela força das águas.

“Ficou muito ruim. O sentimento é de tristeza. Estava tudo pronto e agora um estrago desses. Estamos torcendo para não dar outra chuva, senão complica ainda mais, acaba tudo”, lamenta dona Maria.

Noeme lembra que ficaram alegres com a chuva, tão necessária para a cidade que voltou a conviver com racionamento desde domingo. “Mas depois foi só tristeza, porque tem pouco tempo que fizeram o serviço e agora precisam consertar, ou seja, nem desfrutamos do asfalto e já está desse jeito”.

Na casa de Camila Santos Barreto, de 23 anos, enxurrada carregada de brita e entulho deixou um rastro de sujeira. “O negócio foi feio, assustador, um pesadelo porque a água chegou até na porta de casa. Graças a Deus a chuva durou menos de meia hora, senão teria chegado aos cômodos”.

Luzete Pereira diz que a prova de que o serviço não foi bem feito é a de que a enxurrada invadiu casa que nunca tinha passado por isso antes. “Principalmente na parte de cima”. 

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