Os números que mostram a infecção pelo novo coronavírus não param de crescer em Montes Claros. Em apenas uma semana, entre os dias 10 e 16 de julho, a confirmação de casos de Covid-19 saltou de 418 para 659, alta de 57,6%. Nesse mesmo período, as mortes causadas pela doença praticamente dobraram: passaram de cinco para nove. E mais um óbito entra para a lista de suspeitos. A última vítima do vírus pode ter sido um bebê de sete meses, que chegou ontem sem vida ao Hospital Universitário Clemente de Faria (HU). 

O crescimento pode estar ligado, segundo especialistas, à reabertura de bares, restaurantes, igrejas e academias em Montes Claros. A flexibilização destes segmentos foi permitida no dia 18 de junho e, desde então, o número de casos positivos explodiu: passou de 168 para 659. Os 491 registros a mais em quase um mês representam uma alta de 292%.

A situação tem preocupado especialistas, que alertam para a velocidade de propagação do coronavírus. Somente nos últimos 15 dias, a alta foi de 128% nos casos confirmados – 289 para 659 – e de 125% nas mortes causadas pela doença – eram quatro óbitos no dia 2 de julho.

“Já esperávamos esse crescimento de contaminados devido à maior circulação de pessoas e, consequentemente, do vírus também. O que não podemos enfrentar é caso aconteça o tão temido pico de positivos para Covid-19. Se isso acontecer, o sistema de saúde entrará em colapso pelo excesso de demanda frente à oferta baixa de leitos da terapia intensiva e dos clínicos”, pondera Cláudia Biscotto, infectologista de Montes Claros. 

Ainda de acordo com a médica, a tendência nas próximas semanas é a de que os casos positivos para coronavírus aumentem ainda mais, como aconteceu nos últimos dias. “A abertura (do comércio) foi crucial para esses altos índices. A recomendação é a de que as pessoas que estão no grupo de risco continuem isoladas e, quem precisar sair de casa, fazer o uso da máscara de proteção”, orienta Cláudia Biscotto. 
 
CLAMOR PARA RETROCEDER
Em função das estatísticas preocupantes, o Conselho Municipal de Saúde de Montes Claros (CMS) enviou manifesto à Secretaria de Saúde solicitando retrocesso na flexibilização da quarentena no município. Segundo o documento, a medida se faz necessária uma vez que existe a alta expressiva na curva de contaminação pela Covid-19.

Outro ponto mencionado pelo conselho é a “desobediência por parte da população, na falta do uso de máscaras e pela aglomeração gerada diariamente”. Para o presidente interino do CMS, Aparício Fernandes de Oliveira, as medidas de proteção exigidas no decreto não estão sendo cumpridas pela grande maioria dos bares, restaurantes e similares. 

“Pedimos que seja revista a situação da flexibilização dos comércios não essenciais (bares e restaurantes) por serem ambientes que vêm promovendo um grande volume de aglomeração, inclusive de pessoas sem máscaras”, enfatiza o presidente. 

A Prefeitura de Montes Claros não se manifestou sobre a possibilidade de retroceder a flexibilização do comércio. Diariamente, a Guarda Municipal realiza fiscalização nos bares e restaurantes. Além da verificação da quantidade de pessoas nos estabelecimentos, é olhado se há álcool em gel disponível para os clientes e se é respeitada a distância mínima de dois metros entre as mesas.

Até o momento, 483 bares/restaurantes foram vistoriados, sendo que 352 foram notificados e 131 multados. 

Bebê pode ser 10ª vítima
Mais uma morte com suspeita de coronavírus foi registrada ontem em Montes Claros. A 10ª vítima da Covid-19 pode ser um bebê de sete meses, que apresentou os sintomas da doença. Segundo o Hospital Universitário Clemente de Faria (HU), a criança deu entrada no pronto-socorro às 5h47 de ontem, já sem sinais vitais, em consequência de uma parada cardiorrespiratória. 

O teste para a Covid-19 foi feito, pois a vítima estava com sintomas gripais. De acordo com a nota técnica enviada pelo HU, os pais da criança procuraram um posto de saúde na última segunda-feira e, de lá, foram encaminhados para o hospital. O HU informou que a criança apresentava síndrome gripal e vômitos leves e que, por não haver critérios para internação, o bebê foi liberado e a mãe orientada quanto à medicação e ao retorno ao hospital, caso o filho apresentasse piora. 

Segundo familiares da vítima, os pais estão em estado de choque. Toda a família está de quarentena – nenhum apresenta sintomas da doença.