Em mais uma tentativa de retornar aos palcos, músicos de Montes Claros participaram de reunião na Câmara Municipal nesta terça-feira, para sensibilizar o prefeito Humberto Souto sobre a necessidade de liberar suas atividades. Ficou acertada a realização de uma audiência pública na próxima semana, com convocação do procurador da prefeitura, Otávio Rocha, e a secretária de Saúde, Dulce Pimenta.

Além da apresentação dos profissionais em estabelecimentos com a permissão de até três músicos no palco, os profissionais pedem a ampliação do horário de funcionamento dos bares e restaurantes até a meia noite e a ampliação do número de pessoas por mesa, que atualmente é de quatro, passando para seis.
 
Impactos
Com a medida, os donos de bares poderiam cobrar couvert artístico e minimizar o impacto financeiro ocasionado pelas medidas restritivas. A reunião aconteceu a partir de solicitação do vereador Daniel Dias (PCdoB), relator da Comissão de Cultura e Turismo, e contou com a participação de outros parlamentares.

“A proibição dos músicos neste momento chega a parecer uma discriminação com a classe. Se houvesse restrição de outras atividades, justificaria, mas, uma vez que os bares já estão abertos, os músicos ficam a cerca de 3 metros de distância dos clientes, então, não acho que isso vá concorrer para o aumento dos casos de contaminação”, pontuou o vereador, acrescentando que já foi feita reunião anterior com o pedido ao Executivo.

“Veio o decreto que flexibilizou algumas atividades, entre elas, a dos bares, mas não houve avanço em relação aos músicos. A comissão da qual sou o relator definiu, então, por uma audiência pública o mais urgente possível, para discutir e buscar alternativa a essa questão”, explicou Daniel.

“Por mais que argumentem que os bares estão abertos, as restrições impostas não são positivas para o funcionamento pleno das atividades, porque, na verdade, os bares estão abertos, mas a situação está acarretando prejuízos. Estamos com uma média de três bares fechados por semana e em torno de 3 mil famílias de músicos desempregadas, sem poder desenvolver suas atividades”, explica Rodrigo de Paula, representante da Abrasel Norte de Minas.
 
Vacinação
Ele aponta que todas as cidades da região voltaram com apresentações musicais e que a vacinação já chegou a alguns grupos prioritários em Montes Claros, como pessoas com comorbidades.

“Caso haja uma nova onda de contaminação, sabemos que Montes Claros vai ficar subordinada a demandas de outros municípios, mas isso é uma suposição. Os índices epidemiológicos estão favoráveis e, pelo avanço da vacinação em grupos emergenciais, bem como a ampliação de leitos, entendemos que é possível atender a nossa demanda, porque a classe está muito sofrida”, afirmou Rodrigo.

O representante da Abrasel relatou que pela sexta vez esteve no Legislativo buscando apoio. Com a audiência, ele acredita em uma solução, já que o procurador da prefeitura, Otávio Rocha, e a secretária de Saúde, Dulce Pimenta, serão convocados.

Desde o início da pandemia, a categoria do entretenimento foi a mais prejudicada com os vários decretos. Muitas lives aconteceram e, algumas, como a da banda Toque Xote, chegou a arrecadar 6 toneladas de alimentos, que foram doados aos mais vulneráveis. Um ano depois, as lives já não têm o mesmo impacto.

A categoria gravou um vídeo com o slogan “A Gente Não Quer Só Comida”, em mais um pedido de socorro às autoridades. 

O procurador Otávio Rocha não foi encontrado para falar sobre a situação, até o fechamento da edição.