Uma luta pela prevenção e contra o preconceito marca o 1º de dezembro em todo o mundo – Dia Mundial de Luta contra a Aids. O objetivo é alertar as pessoas para a necessidade de proteção contra o vírus HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), mas, acima de tudo, derrubar o preconceito que ronda a Aids e os portadores do vírus.

Em Montes Claros foi realizada a “Blitz Contra o Preconceito”, em uma pareceria entre o Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), o Grupo de Apoio à Prevenção e aos Portadores de Aids (Grappa) e o Movimento LGBTQ+ dos Gerais (MGG), com apoio da MCTrans.

Foram distribuídos kits de prevenção e panfletos educativos aos motoristas, motociclistas e pedestres que passavam em frente ao HU.

Segundo o diretor de enfermagem da unidade de saúde, Tadeu Nunes Ferreira, esse tipo de mobilização é essencial para mostrar para a comunidade que é preciso manter as medidas de controle e prevenção da transmissão do vírus HIV e das ISTs.

Tadeu alerta para o aumento das ISTs, principalmente entre os mais jovens. “As pessoas abaixo dos 40 anos não viveram o boom e o medo da Aids dos anos 1980 e 1990. Por esta razão, temem menos essas doenças e fazem mais sexo sem se prevenir com o preservativo”, afirma.

Para ele, o governo deveria também distribuir os preservativos femininos, pois seriam mais uma “arma” eficaz para a proteção da mulher, dificultando a proliferação do vírus.

“As autoridades e as lideranças devem estar mais atentas a estas novidades e mudanças tecnológicas que podem ser implementadas no SUS”, enfatiza.
 
ACOLHIMENTO
E se a prevenção não pode ser deixada de lado, o preconceito precisa ser derrubado para que o portador do HIV e o paciente com Aids possam ser melhor acolhidos. É o que destaca a presidente do Grappa, Maurina Carvalho. “O preconceito é um tabu que deveríamos ter quebrado há muito tempo”, afirma.

Para combater esse sentimento, o Grappa criou uma exposição que vai estar no Shopping Montes Claros de 6 a 10 de dezembro. “Quando se fala de HIV, se acredita que existe um grupo específico. Não é assim. O HIV está dentro da sociedade, qualquer pessoa pode ser portadora do vírus”, explica Maurina.

Ela informa que quando se faz sexo sem preservativo, o indivíduo está sujeito a adquirir não somente o HIV, mas qualquer outra IST, como sífilis, gonorreia, herpes genital, clamídia, candidíase, HPV. 

A maioria das pessoas, alerta Maurina, não entende que HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é diferente de Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida).

“O HIV é somente o vírus, a pessoa adquire, infecta e ela pode conviver com isso sem desenvolver a Aids. Já a Aids é a doença. A gente não passa Aids, a gente passa o vírus”, explica.

Exames gratuitos no Cerdi
O presidente do MGG, José Cândido Souza Filho, mais conhecido como Candinho, considera a parceria do Grappa com o HU muito importante e fundamental. “Juntar forças, através de instituições renomadas, para conscientizar na luta contra o HIV e Aids é dar notoriedade ao assunto”. O preconceito, de acordo com ele, vem diminuindo, exatamente movido por campanhas e parcerias como essa. “Hoje todos podem se contaminar. E as pessoas entendem isto, principalmente quando estas campanhas são realizadas”.
 
CUIDADOS
Candinho informa que, em Montes Claros, é possível fazer exames gratuitos no Centro de Referência de Doenças Infecciosas (Cerdi) do Alto São João. “São exames realizados na hora e que ficam prontos em meia hora, sigilo total e com uma equipe de ótimos profissionais que recebe as pessoas com o maior carinho”.