Depois de muitas reclamações dos donos de bares e restaurantes sobre as restrições de horário para funcionamento dos estabelecimentos, a Prefeitura de Montes Claros voltou atrás e tornou mais flexível o funcionamento por meio de um novo decreto publicado na última terça-feira. O documento permite agora que bares e restaurantes funcionem de segunda a quinta-feira até as 22h e, nas sextas, sábados e domingos até as 23h.

No decreto anterior, de 16 de julho, esses estabelecimentos tinham permissão para funcionar até as 20h, sob pena de multa. A medida gerou insatisfação no setor, que alegou prejuízo financeiro e impossibilidade de manter o serviço.

A flexibilização aconteceu depois que os representantes iniciaram uma série de reuniões e manifestações alertando o poder Executivo da necessidade de estender o horário até, no mínimo, meia noite. Um vídeo gravado com participação dos proprietários e clientes de bares gerou comoção na internet e o movimento ganhou a adesão de entidades de classe e da sociedade de modo geral. Nele, o porta-voz da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Montes Claros, Rodrigo de Paula, diz que 75% dos bares da cidade são mantidos por famílias, cuja única renda advém do pequeno negócio. Apesar de não terem conseguido a extensão de horário como pleiteado, ele considera que houve avanço. 

FÔLEGO
“O novo decreto vem auxiliar na logística e permitir aos bares atender seus clientes, fazer o fechamento de contas e assumir uma nova fase de protocolos de segurança, aperfeiçoando o que já havia sido estabelecido de maneira a resguardar a população e gerar renda. Isso dá um fôlego aos empreendedores que estavam realmente sufocados com a questão do horário”, disse Rodrigo, acrescentando que são mais de 100 bares apoiando o pleito, o que acabou fomentando a ideia do coletivo.

“Isso vai servir de base para a formação de uma associação na defesa do setor. O clima mudou e isso faz a economia girar novamente. É importante para o comércio local e todos os envolvidos”, pontuou.

Thiago Meira é proprietário de um bar noturno frequentado especialmente pelo público jovem. Ele revela que caso não houvesse mudança no horário, a melhor opção seria deixar de abrir o bar, já que haveria despesa sem possibilidade de retorno. Desde o começo da pandemia, ele calcula que houve queda de 80% no movimento. O desafio agora é atrair a clientela de volta, imprimindo novo comportamento.

“Quando houve a retomada nós tivemos algumas dificuldades porque alguns clientes não se adaptavam às regras, como o uso de máscara. Chegou ao ponto de chamarmos a atenção destas pessoas e elas se irritavam e ligavam para a fiscalização. Porém, ao chegar, eles nada encontravam, porque a nossa luta era justamente para fazer cumprir o decreto. O horário de 23h não é o adequado, mas considero uma conquista, porque é melhor do que fechar às 20h. Estamos vivendo novos tempos e é realmente necessária a adequação. Acho que depois deste período, a população está mais consciente. De cada dez clientes que chegavam aqui, três usavam máscara. Agora, a cada dez, nove estão usando e aquele que não se adequar é informado da necessidade do paramento para permanecer no local. Depois da segunda notificação, encerramos a conta do cliente, caso ele insista em descumprir as regras”, conta.

ADAPTAÇÕES
Para superar o momento de crise, o bar, que tinha duas unidades, concentrou o atendimento em apenas uma e novas regras foram implantadas. “Colocamos dois seguranças para orientar os clientes. Como o próprio nome diz, é um bar de amigos e as pessoas interagiam. Agora, não permitimos mais a circulação entre mesas, que era uma situação comum no local. Tínhamos música ao vivo seis vezes por semana, reduzimos para três e apenas voz e violão, que é um estilo de música mais tranquilo e as pessoas podem apreciar sentadas. Vamos abrir mais cedo, a partir das 17h, e com isso as pessoas podem chegar mais cedo e desfrutar do ambiente”, declara o proprietário.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Montes Claros, Ernandes Ferreira, endossou o manifesto dos bares e restaurantes e afirmou que a entidade foi solidária à demanda da classe. “Recebemos a pauta das lideranças e associados do segmento que expressaram extrema dificuldade para manter o negócio vivo. Fomos solidários e participamos de discussões com os envolvidos neste processo de diálogo e construção de novas regras. Mesmo que não tenham sido atendidos na forma como desejavam, consideramos que o momento atual ainda é crítico e requer muita responsabilidade dos envolvidos. Cada um deve ser responsável para que novas conquistas ocorram”, alertou.