Inaugurada com pompa durante a pandemia e alardeada como uma grande obra que iria facilitar a vida dos moradores, a avenida Doutor Avilmar Gonçalves de Souza, que recebeu o nome do pai do então secretário de Infraestrutura e Planejamento Urbano, Guilherme Guimarães, entra para o catálogo de serviços deixados pela metade pelo prefeito Humberto Souto.

A via sobre o córrego Bicano foi projetada para desafogar a avenida Francisco Gaetani, que recebe um fluxo intenso de veículos leves e pesados. Se concretizada na íntegra, faria a comunicação entre os bairros Maracanã, Vila Campos, Canelas, Cidade Nova, São Judas e outros. Mas, na prática, ela não aconteceu.

No dia 21 de maio, a solenidade de inauguração foi transmitida por videoconferência e contou com a participação efusiva do prefeito, que já se encontrava em isolamento em sua residência.

Desde então, a avenida supostamente liberada para o trânsito de veículos e pedestres acumula problemas, como a falta de iluminação, sujeira e até um registro de acidente com vítima fatal.

Moradora da Vila Campos, a bacharel em Direito Marianne Alves ficou feliz com a inauguração da avenida e acreditou que poderia fazer caminhada perto de casa, mas o entusiasmo durou pouco. “Pensei que era uma situação temporária, que logo depois de inaugurar eles iriam colocar a iluminação, mas vi que não. Comecei a fazer caminhada às 17h e, no retorno, percebi a escuridão e acabei desistindo. Ficou muito perigoso e, como eu, outros que haviam iniciado a atividade física deixaram de ir. Até para quem está de carro é difícil, porque eles não percebem que há uma rotatória para fazer o retorno e o risco de acidente é enorme”, disse.
 
ARMADILHAS
Outro ponto observado pela moradora foi com relação às bocas de lobo. “Muitas estão sem tampa e elas estão abaixo do asfalto. Tem uma inclinação, e a faixa de pedestres e ciclistas, que deveria representar segurança, traz mais risco. Sem luz, fica impossível enxergar”, complementa.

No mês seguinte à inauguração, a avenida foi palco de um grave acidente que comoveu toda a cidade. Uma mulher de 46 anos passava pelo local de moto, por volta das 18h30, quando foi atingida por uma linha chilena. “Não posso dizer que a causa foi a falta de iluminação, mas com certeza a escuridão contribuiu com esse desfecho trágico, pois se houvesse um mínimo de luz, ela poderia ter visto que havia pessoas soltando pipa no local”, disse uma funcionária do shopping que teve sua rotina alterada devido à interdição de uma rua lateral, braço da avenida.

Antes do asfalto, ela chegou a utilizar a via, porém, a prefeitura fez o asfaltamento e, ao inaugurar a avenida, interditou a rua que dá acesso ao Shopping e à Rodoviária.
 
CADÊ O DINHEIRO? 
O vereador Ildeu Maia usou a tribuna esta semana para cobrar uma solução pela Prefeitura de Montes Claros. “Em 2017, o prefeito recebeu a administração com R$ 14 milhões em caixa para gastar na iluminação pública. Quero que alguém aponte o que foi feito nestes quase quatro anos de mandato. Avenidas importantes da cidade permanecem às escuras e trazem insegurança para a população. Gostaria que o secretário do setor apresentasse uma solução e mostrasse o que foi feito”, disse o parlamentar.

O secretário responsável pelo setor, Vanderlino Silveira, também titular da secretaria de Infraestrutura e Planejamento Urbano, não foi encontrado para falar sobre o assunto.

Via que seria uma solução para moradores de vários bairros virou uma dor de cabeça