Apresentada como uma das principais realizações da atual gestão municipal, a pavimentação de vias em Montes Claros é alvo de queixas de moradores em diferentes pontos da cidade. E as reclamações não dizem respeito apenas à falta de asfalto, dificultando o acesso a determinadas regiões. Quem foi “beneficiado” diz que a rede de drenagem de água pluvial não tem capacidade suficiente e questiona a qualidade do material e do serviço executado, já que bastou começar a temporada chuvosa para que a cobertura fosse danificada em vários locais. 

Os problemas atingem a zona rural e também a parte urbana. A intervenção em pontos centrais, como o viaduto do Roxo Verde, provocou alagamento naquela região e gerou protestos de comerciantes e moradores. 

No bairro Canelas não foi diferente. A prefeitura contemplou só parte das ruas e deixou de lado duas vias importantes, que acabaram tomadas pela enxurrada que veio de pontos asfaltados. O Córrego Melancias transbordou. A avenida Antônio Lafetá Rebello, que passa por cima do córrego, também ficou inundada. Parlamentares que acompanham a situação dizem não ter conseguido acesso detalhado às contas públicas e ao custo de cada intervenção.

PELA METADE
Esta semana, novas chuvas geraram mais reclamações. Desta vez, vindas de moradores da Vila Real. Lá, a maioria das ruas não é pavimentada, dificultando o acesso ao “Grande Independência”, bairro principal com melhor infraestrutura e rede de serviços. 

A administradora Clara Sampaio visita o bairro com frequência e diz que a situação está “insustentável”. “Não queremos falar mal de ninguém, mas os moradores estão praticamente isolados e não podem sair nem para ir a uma consulta médica. Nós também não conseguimos chegar a eles. Como se não bastasse, o bairro também está sem iluminação”, diz Clara.

A aposentada L.X.C. não esconde a tristeza ao revelar que nunca imaginou que um dia rezaria para não chover. “É até errado pedir isso a Deus. Precisamos muito da chuva, mas a água está entrando na casa. Sou uma pessoa doente, tenho reumatismo e não dou conta de colocar as tábuas para barrar a passagem da água e para atravessar a rua”, desabafa a moradora da rua Benízio, que afirma ter pedido à prefeitura para ao menos “passar a máquina no local e retirar o lixo. Mas eles não apareceram”.

De acordo com o professor J.C., vizinho dela, os moradores foram castigados com um serviço inacabado da prefeitura. Com a chuva, placas de asfalto foram arrancadas e pararam na frente de outros imóveis, bloqueando a passagem de pessoas e veículos.

“Eles fizeram o asfalto na frente da igreja e apenas na ponta desta rua. Ou seja, o serviço foi feito pela metade e nessa metade utilizaram um material de péssima qualidade, porque a chuva veio e desmanchou. Esqueceram que tem moradores no restante da rua e que merecemos respeito. Para chegar à igreja, temos que caminhar na terra e agora nem isso, porque não dá para trafegar”, pontuou.

A reportagem buscou o retorno da prefeitura, mas o secretário de Infraestrutura e Planejamento Urbano, Vanderlino Silveira, não foi encontrado na secretaria e não atendeu as ligações.