Moradores e comerciantes da região Sul da cidade reclamam do asfaltamento que teria ficado pela metade na avenida Francisco Gaetani. O temor deles é o de que chuvas previstas para os próximos dias ainda arranquem o que já foi colocado.

“(A prefeitura) Começou e deixou pelo caminho. Uma obra, quando começa, precisa ser concluída. A chuva vai tirar o que foi colocado. É desperdício de dinheiro público e de tempo. Está muito feio esse serviço”, diz Henrique Wesley Araújo, dono de um comércio na via. 

Preocupado também está o aposentado José Geraldo Silva. A casa dele fica exatamente na parte de baixo da avenida Francisco Gaetani.

“Se chover, essa massa que colocaram aí vai entrar na casa da gente. Veio um bando de gente aqui na porta, passou a máquina e eu reclamei. Então eles abaixaram mais e deixaram desse jeito. Na campanha, o prefeito falou que ia fazer isso aqui e a gente acreditou. Se não vai fazer, melhor não começar”, diz. 

Para evitar este tipo de situação, o vereador Fábio Neves (PSB) apresentou um projeto de lei (PL 125/2019) que dispõe sobre a proibição de inauguração e/ou entrega de obras públicas inacabadas ou que não estejam em condição de atender a população.

“A intenção é combater a politicagem com recurso público. Que seja feito algo planejado. Tenho recebido muitas reclamações de pessoas insatisfeitas com este processo de ‘indicação’ de asfalto adotado pelo prefeito”, disse.

De acordo com o vereador, o prefeito Humberto Souto tem “dado” aos vereadores mil metros de asfalto para ser colocado no local indicado por eles. Teria havido, inclusive, caso de uma rua com 400 metros onde apenas 50 acabaram pavimentados. 

“Todos contribuem da mesma forma. O que era para ser comemorado acaba se transformando em um transtorno e gera mágoa naquelas pessoas que vêm o asfalto chegar próximo, mas não à porta de casa. É prejuízo também para o município. A exceção só é válida se existir uma justificativa técnica”, declarou o vereador.

O PL não está restrito à pavimentação. O texto se refere também a construções, reformas, recuperações ou ampliações custeadas pelo poder público que servem ao uso direto ou indireto da população, como escolas, parques e unidades de saúde.

O secretário de Infraestrutura e Planejamento Urbano, Guilherme Guimarães, disse que não há possibilidade de asfaltar a Travessa Francisco Gaetani porque o local precisa de drenagem e o custo é muito alto. Segundo ele, os moradores estão cientes de que não haverá asfalto e que o paliativo foi acordado entre o prefeito e a vereadora Maria Helena Lopes. Ela não foi encontrada para falar sobre o assunto.