O impacto já era esperado e não foi pequeno. A série de aumentos dos preços dos combustíveis pesou na inflação do mês passado em Montes Claros, que ficou em 0,75%, contra 0,49% registrado em fevereiro. Com esse resultado, o acumulado do ano chega a 1,85%.

Na pesquisa feita pelo Departamento de Economia da Unimontes, o grupo Transportes e Comunicação sofreu uma variação de 3,17% em março, puxado pelas altas nos preços do etanol (12,82%), da gasolina (9,93%) e do diesel (8,96%). No grupo Habitação, o vilão foi o gás de cozinha, que seguiu os reajustes dos combustíveis e atingiu uma variação de 8,23%.

No entanto, na composição desse grupo, com variação de 1,44% em março, entram também os subgrupos Material de Limpeza e Uso Doméstico e Material de Construção, que contribuíram para a alta da inflação no período passado. Para manter o estoque de material de limpeza em casa, o consumidor teve que gastar mais.

O preço da esponja de aço (6,79%), do sabão em pó (3,75%) e do sabão em barra (3,37%) não poupou o orçamento doméstico. Já para quem está fazendo obras em casa, o maior peso foi do chuveiro (5,44%), massa corrida (3,87%) e revestimento (3,42%).

Essas altas fazem o “dragão” da inflação corroer a renda do trabalhador, que precisa cada vez mais pesquisar preços e, muitas vezes, cortar itens da cesta básica.

COMPOSIÇÃO
Segundo a economista Vânia Silva Vilas Bôas Vieira Lopes, coordenadora do estudo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Unimontes, os combustíveis foram os principais impactos no índice inflacionário, mas ela destaca também o grupo de materiais de higiene e de construção.

A contribuição desses itens na composição da inflação subiu para 0,36% em março, contra 0,19% em fevereiro.

“Alimentação subiu menos esse mês, mas não é tão perceptível para o consumidor”, avalia. A professora ressalta que, como os produtos alimentícios subiram muito nos meses anteriores, agora percebe-se um efeito de estabilização, mas com os preços em altos patamares. “Então, não dá para o consumidor perceber”, explica.

O início da colheita de novas safras explica a queda nos preços de alguns hortifrutigranjeiros, bem como a estabilidade de cinco dos 13 itens da cesta básica, aponta o relatório. “Mas alguns bens ainda se encontram em preços bastante elevados, em virtude dos aumentos ocorridos em 2020, como é o caso do óleo de soja, arroz e carne bovina, o que não permite ao trabalhador sentir essa queda em alguns itens”, informa o estudo.

Cesta básica cai pelo segundo mês
Apesar do aumento da inflação em março, a cesta básica em Montes Claros registra variação negativa pelo segundo mês consecutivo.

Segundo o relatório da Unimontes, os preços dos gêneros básicos que compõem a cesta tiveram variação de -0,95%. No entanto, o índice foi menor que o de fevereiro (-1,06%).

Esse efeito é resultado da queda nos preços de alguns hortifrutigranjeiros, como o tomate (-4,01%), batata (-4,20%) e banana (-6,02%), associada a uma redução no custo do arroz (-3,03%) e do óleo de soja (-1,42%). Já o que pesou mais no valor da cesta foram o açúcar (1,46%) e a margarina (2,26%).

Para adquirir a cesta básica, o trabalhador montes-clarense destinou mais de 37% do salário, com o custo de R$ 414,02, contra os R$ 418,02 gastos em fevereiro. 

A carne bovina, o leite tipo C, a farinha de mandioca, o pão de sal e o café mantiveram preços estáveis em relação ao mês anterior.