Indignação. Esse é o sentimento de quem depende do transporte coletivo em Montes Claros e iniciou o ano tendo que pagar 17% a mais pela tarifa. Desde domingo, a passagem passou de R$ 3,20 para R$ 3,75. A alta foi considerada abusiva pela população, pois está bem acima da inflação acumulada em 2021, que é de cerca de 10%.

“Abusivo! Horrível começar o ano com esse aumento absurdo da passagem de ônibus. O valor aumenta, mas a qualidade nunca melhora. Sou moradora do bairro Castelo Branco e os ônibus nunca têm horário para passar. É triste dizer, mas não podemos fazer compromisso em pegar ônibus em Montes Claros”, diz irritada a artesã Ilca Ferreira, de 41 anos.

Ela diz que é mais um peso para o trabalhador, que já vem segurando altas em todos os setores desde o ano passado. “Sabemos que tudo está caro: combustível, alimentação, mas se for colocar reajuste no ônibus toda vez... Cadê a qualidade? O valor para as empresas foi bom, mas para nós, usuários, continua péssimo, principalmente o serviço”, afirma Ilca, que está grávida e esperava o ônibus há quase uma hora.

O reajuste foi definido por meio do Decreto nº 4.346, de 30 de dezembro de 2021, e começou a valer neste domingo. No texto, a Prefeitura de Montes Claros apresenta como justificativa para o aumento uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que determinou ao município o prazo de dez dias para avaliar o impacto do aumento de preços do combustível no custo da operação dos serviços e definir o reajuste tarifário, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

ÚLTIMA REVISÃO
Além disso, o decreto afirma que a última revisão tarifária foi feita em 18 de dezembro de 2020, fixando o valor da passagem em R$ 3,20, e que a planilha técnica elaborada pela consultoria contratada sugere o valor de R$ 3,75 para garantir o reequilíbrio do Contrato de Concessão.

Apesar do peso que esse novo valor representa para os passageiros, o Consórcio MOCBus, responsável pelo transporte coletivo em Montes Claros, afirma, em nota, que o novo valor não corresponde às necessidades das empresas. “O valor encontrado pela prefeitura foi decorrente de um trabalho unilateral e sem considerar as premissas do edital e do contrato de concessão, onde a tarifa encontrada e decretada não efetiva o real reequilíbrio econômico-financeiro da concessão”, diz o texto.

O consórcio ressalta que a prefeitura não considerou o eventual reajuste salarial dos trabalhadores na nova tarifa, ou seja, os R$ 3,75 consideram apenas o salário e benefícios vigentes na data atual.

Enquanto isso, a população enfatiza que o valor cobrado não corresponde ao serviço prestado. “Não tem lotação. Quando tem, é por acaso. Para eles, pode ser pouco, mas para os trabalhadores, não!”, afirma indignada a comerciante Maria Moura.

“O salário mínimo aumentou para R$ 1.212, mas não acompanhou todas as perdas inflacionárias dos anos 2020 e 2021. E o poder aquisitivo de grande parte da população está achatado, porque ganha um salário ou menos que um salário. É um abuso esse reajuste”, afirma um passageiro que pediu para não ser identificado.

*Com Leonardo Queiroz