O ano começou bem para o homem do campo norte-mineiro. As chuvas deixaram o solo mais fértil, o que favoreceu a produção. Tudo indo bem, até que a pandemia do novo coronavírus parou o mundo. Com a suspensão das feiras livres em Montes Claros, produtores rurais também tiveram que se reinventar, o que sempre tem um lado bom. Os do Planalto Rural, na região do Pentáurea, passaram a comercializar os produtos pelas redes sociais e a entregar os pedidos direto ao consumidor.
 
A criação da feira livre no bairro São José, há três anos, é uma das grandes conquistas da agricultura familiar em Montes Claros. Toda quinta-feira produtores ofereciam verduras, frutas e outros itens sem agrotóxico, além de peças de artesanato e doces. 
 
Com o veto à atividade para evitar aglomerações, veio importante desafio: como escoar a boa colheita?
 
A Associação de Produtores Hortigranjeiros da Região Pentáurea (Asprohpen) criou um site e um grupo nas redes sociais para divulgar os produtos oferecidos e as vendas. Deu certo! Atualmente, famílias agricultoras comemoram tanto a boa produção quanto as vendas, que ao contrário do temor inicial, aumentaram.
 
O produtor rural Manoel Ataíde Ferreira continua trazendo a mercadoria, mas agora entrega as encomendas direto ao cliente. Toda semana ele vem à cidade duas vezes para entregar pelo menos 50 encomendas. 
 
“Hoje minha esposa separa, limpa, pesa e preparar os kits de alimentos entregues na cidade. São 13 hectares de plantação. Cada cantinho é muito bem utilizado para alimentar com segurança e qualidade mais de 70 famílias”, afirma o produtor. 
 
De acordo com a Asprohpen, mesmo quando as feirinhas voltarem a funcionar, o delivery continuará funcionando. Ao invés de espalhar as verduras em uma banca, os produtos serão disponibilizados em saquinhos fechados de meio a dois quilos.
 
“Bom para o cliente, que não terá contato com o produto, evitando assim possível contágio, e para a gente também, pois quando vão escolher as verduras podem estragar com os apertos”, pontua o produtor. 
 
Há mais de dois anos, a assistente jurídica Leane Batista, é uma das clientes da Asprohpen. “São, no mínimo, três compras por semana. Na quarentena teria que ir ao supermercado, selecionar frutas, verduras. Muito tempo fora de casa e em contato com produtos e pessoas. Principalmente por causa dos pais, idosos, isso seria muito arriscado”, destaca. 
 
Quem quiser encomendar alguma mercadoria deve entrar em contato (38) 9941-2453 ou pelo site www.asprohpen.org.br. 
 
SEM AGROTÓXICO 
Ao longo da plantação é possível ver “tapetes” de couve, cebolinha, brócolis, repolho, chuchu, quiabo, pimentão, laranja, mexerica, limão e feijão. O produtor Manoel Ataíde dá uma das receitas livres de agrotóxicos usadas para espantar as moscas das folhagens. 
 
“Detergente, água e açúcar. Borrifamos na plantação para espantar, principalmente, a mosca branca. Funciona e não faz mal nem para a planta em para que consome”.