Moradores do bairro Jardim Panorama buscam uma saída para o lixo acumulado em uma área de proteção ambiental, que tem tirado o sossego e a saúde da comunidade. Depois de várias tentativas para resolver o problema junto ao município, decidiram acionar o Ministério Público e protocolaram documento pedindo uma solução definitiva. Eles querem colocar fim a um espaço autorizado pela prefeitura para funcionar como depósito de lixo.

“O casco (Centro de Apoio Simplificado para Carroceiros) é para descarte de poda de árvores e material de construção, mas estão jogando lixo orgânico no local”, denuncia o morador Heráclides Veloso, que está à frente da ação.

O mais grave, de acordo com o morador, é que a ação autorizada pela prefeitura é irregular, uma vez que o espaço é uma Área de Preservação Permanente (APP) e não poderia ser utilizada para outro fim. 

Ao lado do depósito de lixo há um ponto de captação de água da Copasa. Veloso acredita que o lençol freático pode estar sendo contaminado. Além disso, em parte da rua o esgoto corre a céu aberto, o que provoca o entupimento da rede.

“Fizeram uma represa para coletar a água do córrego Pai João e o lixo está praticamente dentro. Quando a gente denuncia, eles vão lá e limpam. Logo depois, vem novamente o lixo, que se acumula rápido. Ao invés de solucionar o problema, enviaram um funcionário para ficar lá, vigiando. Mas não tem banheiro, não tem a menor condição de manter uma pessoa ali trabalhando nas condições em que está o espaço. É desumano”, alerta o morador, que acrescenta ter protocolado em todas as secretarias o pedido e também na Câmara Municipal.

Ainda de acordo com Veloso, em dezembro o “lixão” chegou a pegar fogo. Depois disso, a prefeitura esteve no local e fez um paliativo, mas novamente a situação se agravou. Os moradores estão convivendo com o risco permanente de terem suas casas invadidas por animais peçonhentos, além do risco da dengue. 
 
SEM LUZ
Na rua Pai João, que é asfaltada e delimita o bairro, não existe iluminação pública, o que facilita a ação de vândalos e contribui para a presença constante de usuários de entorpecentes.

“Tem crianças, pessoas idosas e, de modo geral, todos nós estamos expostos. São muitos os problemas e não podemos conviver com medidas paliativas. Queremos uma solução”, complementa.
 
CASCO CONTINUA
O
NORTE entrou em contato com o secretário Municipal de Serviços Urbanos, Guilherme Guimarães. Ele informou que o espaço é um “casco consolidado” e até a institucionalização de novos espaços na cidade este será utilizado para receber os materiais autorizados ao descarte.

Ainda de acordo com o secretário, a limpeza é feita periodicamente e há o projeto de uma praça para ser construída no local, mas não há prazo para isso. Até lá, os moradores devem comunicar à prefeitura sempre que houver a necessidade de limpeza.