
A Fundação Ezequiel Dias (Funed) confirmou dois casos de primatas não humanos positivos para febre amarela. Os macacos foram encontrados mortos nos municípios de Claros dos Poções e São João do Pacuí. Com os resultados, 86 municípios da macrorregião de saúde do Norte de Minas receberam o alerta sanitário. A coordenadora do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) e da Vigilância em Saúde na Superintendência Regional de Saúde (SRS) em Montes Claros, Agna Menezes, afirma que a partir da confirmação, a Regional vai intensificar o monitoramento nos municípios vizinhos das duas cidades, entre eles, Campo Azul, Brasília de Minas, Coração de Jesus, Lagoa dos Patos, São João da Lagoa, Jequitaí, Montes Claros, Francisco Dumont, Bocaiúva e Joaquim Felício. “A população urbana e rural deve ser orientada para denunciar o adoecimento ou morte de macacos”, explica Agna, ressaltando a necessidade de ações urgentes como, busca ativa por pessoas não vacinadas contra a doença, detecção oportuna de caso humano suspeito para a doença, investigação adequada de eventos e fortalecimento da cobertura vacinal. “Os macacos atuam como sentinelas da circulação do vírus da febre amarela e são altamente suscetíveis à infecção. A constatação de epizootias - ocorrência ou morte de animais em uma mesma região, correspondente a epidemia humana - indica a possível presença do vírus no ambiente e representa importante alerta para o risco de transmissão a humanos”, explica a coordenadora.
A identificação em tempo hábil, disse Agna, demonstra que a vigilância está atuando de maneira correta. Ela acrescenta que uma informação importante, sobretudo para que a população não se volte contra os animais, é que “os macacos não são transmissores da febre amarela. Eles são o alerta de que o vírus da doença, que é transmitido por mosquitos, está circulando na região”.
A febre amarela é uma doença com ciclos de transmissão urbano e silvestre. No último caso, a transmissão acontece em área rural ou de floresta. Os macacos são hospedeiros e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres. “Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao entrar em áreas de matas. Já no ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão da febre amarela ocorre a partir de vetores urbanos infectados, entre eles o mosquito Aedes aegypti, também transmissor da dengue, febre chikungunya e do zika vírus”, destaca. O uso de repelentes é uma ferramenta importante, porém, a vacina é o meio mais eficaz de proteção contra a doença.
A Secretária de Saúde de São João do Pacuí, Tatiane Souza Pinheiro, ressaltou que não há nenhum caso em humanos. O caso foi detectado em um primata não humano ( macaco), encontrado na na zona rural. “A Regional vai disponibilizar a vacina e vamos iniciar na quarta-feira a mobilização, com ação de intensificação da vacinação, inclusive utilizando também o Vacimóvel, para facilitar o acesso da população ao imunizante”, disse.
