
A Santa Sé autorizou oficialmente a abertura do processo de beatificação da Madre Maria Angélica da Eucaristia, fundadora do Carmelo Maria Mãe da Igreja e Papa Paulo VI, em Montes Claros. O chamado “nihil obstat”, traduzido literalmente como “nada impede”, é o passo inicial rumo ao reconhecimento da santidade da Madre, que chegou ao Norte de Minas na década de 1970.
O professor e padre Antônio Alvimar, da Arquidiocese de Montes Claros, explica que o início do processo de beatificação de Madre Angélica é muito significativo para o povo de Deus no Norte de Minas Gerais. “A chegada da Santa Sé do nihil obstat, autorizando oficialmente a abertura do processo diocesano, é um longo caminho a ser percorrido com piedade e orações. A possível beatificação da Madre Maria Angélica da Eucaristia indica a fecundidade da espiritualidade teresiana aqui, produzindo frutos exemplares para a igreja que trilha no sertão”, disse o padre.
Ele acrescenta que a Madre Angélica fez o caminho de Cristo seguindo as pegadas de Teresa de Jesus e João da Cruz. “Seu testemunho lembra um ponto forte da espiritualidade carmelitana, ‘o caminhar com Teresa é ser pobre e não ter nada. É seguir a poeira do caminho e o tostar do sol na estrada, rumo à cidade santa, para o centro do castelo”, frisou.
GRATIDÃO
Madre Angélica chegou ao Norte de Minas na década de 1970 e se tornou referência espiritual para gerações de fiéis. A médica Raquel Muniz teve uma convivência próxima e cotidiana com a Madre e revela que, para ela, a freira já é uma santa. “Todas as noites rezo para ela. Em nossos momentos mais difíceis, Madre Angélica foi um refúgio de amor e acolhimento. Tem duas pessoas que eu e Ruy (Muniz) sempre admiramos muito, sendo a Madre Angélica e o Padre Henrique, e por anos eles trabalharam juntos. Ele era o capelão do Carmelo, e ela ficou aqui muitos anos”, declara.
Todo ano, as portas da igreja do Carmelo se abriam para a missa do dia 31 de dezembro. Nessa data principalmente, o casal, acompanhado dos filhos, não renunciava a celebrar a virada do ano com as irmãs do Carmelo. Ao final da missa, todos permaneciam à porta do convento se confraternizando. O momento é lembrado com muito respeito pela médica, que no dia a dia fazia questão de visitar o Carmelo. “Ela me convidava e eu passava o dia todo lá. Tudo que era feito ali, não só as orações de hora em hora, ajoelhada, o som do sino, mas o almoço, o cafezinho, era santo e feito com muita delicadeza. Me nutria e me sentia verdadeiramente no céu”, conta. Depois da sua partida, a Madre não foi esquecida. “Ela está sepultada no Carmelo. No dia dois de novembro, a gente faz uma visita a ela e relembra toda a sua trajetória na nossa cidade”.
Sobre a possível beatificação da Madre Angélica, Raquel reafirma sua emoção, diz que já tem livros escritos sobre ela e acredita que a situação vai tramitar bem, com o povo norte-mineiro tendo a sua primeira santa. “Ela conseguiu receber muitas irmãs vocacionadas, e eu tenho certeza de que ela continuou aqui nessa caminhada, deixou um legado entre as irmãs mais novas. É realmente das pessoas que a gente conheceu e conviveu, que teve uma vida devotada. Por tudo que ela contribuiu para a nossa região e, em especial, para mim e Ruy, nos sentimos muito felizes”, conclui.
