
Com a aproximação do período chuvoso, a manutenção preventiva de imóveis deve entrar na lista de cuidados dos moradores. Em Montes Claros e região, onde as chuvas ficam mais concentradas entre novembro e março, a recomendação é aproveitar o período de estiagem para identificar problemas em telhados, muros, paredes, calhas e demais estruturas antes que o volume de água e a ocorrência de tempestades aumentem os riscos.
De acordo com o coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Coronel Darlan Moreira Soares: sinais aparentes nas estruturas não devem ser ignorados. “O morador deve estar atento à inclinação de muros ou ao surgimento de aberturas, como fissuras, trincas e rachaduras. Caso alguma dessas patologias estruturais seja observada, recomenda-se a contratação de um profissional habilitado para avaliar a estrutura e propor as medidas adequadas”, orienta.
Nos telhados, a inspeção deve incluir telhas, encaixes, calhas e rufos. O objetivo é identificar peças quebradas ou deslocadas e pontos que permitam a entrada ou o acúmulo de água. A limpeza também merece atenção, especialmente após meses de estiagem e queda de folhas.
“Uma simples goteira pode levar ao apodrecimento do madeiramento do telhado, a danos na pintura e no piso da residência, além de danos a cortinas e ao mobiliário”, alerta Darlan. Segundo ele, calhas e ralos obstruídos podem provocar o retorno da água para o telhado ou seu extravasamento para as paredes, favorecendo manchas e deterioração das alvenarias.
A atenção também deve se estender às áreas externas. Árvores de grande porte próximas às construções podem representar risco durante temporais, principalmente quando apresentam inclinação, galhos secos ou cavidades no tronco. A avaliação deve considerar ainda a distância entre a vegetação e a rede elétrica.
“É recomendável que não se construa muito próximo de vegetais de grande porte, sob pena da queda desses vegetais ou de partes dos mesmos sobre o imóvel. Nos casos em que a ameaça seja iminente, pode ser necessária a poda ou supressão, mediante aprovação dos órgãos competentes”, explica o coordenador.
Quando árvores ou galhos estiverem próximos da fiação elétrica, a orientação é acionar a Cemig, evitando qualquer tentativa de intervenção por conta própria. Além do risco para os moradores, ocorrências desse tipo podem comprometer a rede e afetar o fornecimento de energia para outros consumidores.
Para a Defesa Civil, antecipar os reparos é uma medida de segurança. Durante as chuvas, telhas ficam mais pesadas por causa da absorção de água e podem se tornar mais suscetíveis a danos. Ventos fortes também podem provocar destelhamentos e deslocar partes de coberturas e estruturas.
“Esse é o momento adequado para a realização desses reparos, antes da instalação definitiva do período chuvoso”, reforça Darlan.
A prevenção, entretanto, não termina com a manutenção do imóvel. Em dias de chuva intensa, os moradores devem acompanhar os alertas meteorológicos e observar sinais que possam indicar alterações na estrutura. A Defesa Civil disponibiliza alerta por SMS: basta cadastrar o CEP enviando uma mensagem para o número 40199.
“Não se deve ignorar os alertas recebidos. Estando em casa, permaneça atento a barulhos diferentes dos habitualmente ouvidos, como estalos, além do emperramento de portas ou janelas e da inclinação de estruturas como árvores, postes e muros”, orienta.
A vistoria preventiva deve ser realizada por profissional ou empresa habilitada. A Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 em situações de risco relacionadas a fatores externos ou condições excepcionais. Em casos de acidentes, resgates ou necessidade de retirada de pessoas em áreas atingidas, o atendimento deve ser solicitado ao Corpo de Bombeiros, pelo 193.
Segundo Darlan, a avaliação preventiva do imóvel não deve ser confundida com uma vistoria emergencial da Defesa Civil. A primeira faz parte da manutenção periódica necessária diante do desgaste natural da construção; a segunda é destinada à análise de situações de risco associadas a eventos súbitos ou condições extraordinárias.
