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Rede elétrica mata mais na construção civil do que se imagina

De 2013 a 2025, 1.173 trabalhadores morreram por choque elétrico

Leonardo Queiroz
leonardoqueiroz.onorte@gmail.com
Publicado em 27/08/2026 às 20:43.
Em 2025, 208 trabalhadores morreram por choque — alta de 52% sobre 2024; Cemig recomenda planejamento prévio e respeito à distância de segurança (Cemig/ divulgação)
Em 2025, 208 trabalhadores morreram por choque — alta de 52% sobre 2024; Cemig recomenda planejamento prévio e respeito à distância de segurança (Cemig/ divulgação)

O avanço de obras e reformas durante períodos de tempo mais firme em Minas Gerais também reforça a necessidade de cuidados com a segurança. Dados do mais recente Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica, da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), mostram que os profissionais da construção civil são os que mais morrem em acidentes provocados por choque elétrico no Brasil.

Somente em 2025, foram registradas 208 mortes de trabalhadores do setor, número superior aos 137 óbitos contabilizados em 2024 e às 64 mortes registradas em 2023. Na série histórica da Abracopel, entre 2013 e 2025, 1.173 profissionais da construção civil perderam a vida em acidentes envolvendo eletricidade. Pedreiros, pintores e ajudantes estão entre as categorias mais expostas.

Diante desse cenário, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) reforça o alerta para os cuidados durante construções e reformas realizadas próximas à rede elétrica. Atividades consideradas rotineiras, como pintura de fachadas, manutenção de telhados, instalação de calhas e movimentação de vergalhões, barras metálicas, escadas e outros objetos longos podem provocar acidentes graves ou fatais quando realizadas sem planejamento.

Segundo o gerente de Segurança de Saúde e Segurança Corporativa da Cemig, José Firmo do Carmo Júnior, a prevenção deve começar antes mesmo do início da obra. “Os números mostram que as ocorrências envolvendo eletricidade na construção civil continuam sendo as causas de acidentes e mortes no Brasil. Muitas delas poderiam ser evitadas com planejamento, identificação prévia dos riscos e respeito às distâncias de segurança da rede elétrica. É fundamental que trabalhadores e responsáveis pelas obras entendam que a proximidade com a rede energizada pode ser suficiente para provocar um acidente grave”, alerta.

Distância é fundamental
Um dos principais riscos está nos trabalhos realizados na mesma altura da rede de distribuição, situação comum em construções ou reformas de segundos e terceiros pavimentos, telhados, fachadas e sacadas. A Cemig orienta que seja mantida uma distância mínima de 1,5 metro da rede elétrica, inclusive durante a movimentação de ferramentas, equipamentos e materiais.

Dependendo da proximidade, pode ocorrer a formação de um arco elétrico entre a rede energizada e o objeto manipulado pelo trabalhador. “Uma rede de média tensão pode operar com 13.800 volts. Muitas pessoas imaginam que o acidente só acontece quando há contato direto com o fio, mas a aproximação também pode provocar uma descarga elétrica. Por isso, é fundamental observar não apenas onde o trabalhador está, mas também o alcance dos materiais e equipamentos que ele está manipulando”, explica José Firmo.

Cabos de rolos de pintura, vergalhões, barras metálicas, calhas, escadas e andaimes podem se aproximar acidentalmente da rede durante o trabalho. A Cemig destaca que até mesmo materiais aparentemente isolantes, como cabos de madeira, podem oferecer risco quando entram em contato ou se aproximam de uma rede energizada.

Além do choque, uma descarga pode provocar perda de equilíbrio e quedas de altura, aumentando a gravidade do acidente. Por isso, pintores, telhadeiros e demais profissionais devem redobrar a atenção.

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